Aquele que espera.

Há demasiado tempo que estou no banco de suplentes, à espera da chance de ela me ver jogar.

Visto todos os dias o equipamento na esperança que algo mude na rotina que temos. Dizem que a esperança é a última a morrer. Têm razão. É verdade. Porque mesmo depois de tanto ter tentado entrar em campo, e nunca ter conseguido, continuo aqui. Mantenho-me à espera da oportunidade de ouro para mostrar quem eu sou, do que sou capaz e o homem bom que encaro todos os dias em frente ao espelho.

Sou o romântico que se esconde por detrás da timidez, mas o corajoso que se mantêm com a fé revigorada a cada novo acordar. E só o facto de pensar que a verei logo de manhã, torna-se menos penoso o som do despertador e os transportes que tenho de apanhar, para me levarem até bem perto da amada da minha vida.

Como ela é linda. Como é doce, refrescante e o seu sorriso me derrete em segundos. E quando um dia mau me acolhe, vê-la torna-o logo melhor. Ela faz-me bem. E eu tão bem lhe faria.

Dar-lhe-ia o mundo só para ver os seus olhinhos brilharem, a olharem para mim. Tudo seria dela, se ela se torna-se tudo para mim. Perdão. Ela é tudo para mim, apesar de eu ainda não ser nada de mais para ela. Chama-me de “amigo”, pois ainda não teve a ousadia de me deixar entrar em jogo.

Poderia fazer bom show de bola ao lado dela.  Iria fazê-la feliz, disso eu sei. Só que a piquena não percebe que, nem todos os que estão em campo são bons jogadores. E se calhar, um dia vai-se magoar. E sabes quem estará aqui para a reconfortar? Eu – aquele que espera.

É impossível dizer que não àquela miúda que há tempo demais me roubou o coração. E eu já tentei de tudo para a esquecer. Já fiz promessas de mudança, apostas desvairadas e até já ponderei envolvimentos com outras. E sinceramente, foram planos furados porque aquele rosto troca-me as voltas todas. Desconcentra-me. Desassossega-me. Troca-me todo e pronto! Que posso mais eu fazer?!

Não sou o único à espera de uma oportunidade. A equipa é grande e poucos jogam. Pois é raro quem não fique fascinado pelo ciclone de mulher que ela é. Babam-se com o seu jeito inocente mas tão sabichão. Deliciam-se com ela, por completo.

Não deixa qualquer um a conhecer por inteira. E isso faz-me ainda mais louco por aquela menina dos cabelos meio loiros.

Sou paciente. Dizem que quem espera sempre alcança. E poderá ser que um dia, ela esteja ao meu alcance. Porque agora, encontra-se tão perto de mim mas tão longe de ser minha. É o dilema da minha vida: poder vê-la mas não poder tê-la. 

E hoje, como nos outros dias, calcei as chuteiras, vesti-me a rigor e sentei-me no banco. Com sorte, será hoje que irei jogar.

Vemo-nos em campo.


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