(…) E apesar de estar livre, nunca estive mais presa (…)

É incrível como conseguiste desfazer o meu coração em pedacinhos.

Eu confiei em ti, dei-te o melhor de mim e fui apagando aos poucos cada cicatriz que me tinham deixado no passado, fui apagando cada traço da minha personalidade e fiquei como se uma boneca criada à tua imagem e eu que jurei nunca o fazer, por nada e muito menos por amor. Muito menos por um rapaz, onde existem mais cem, mil, milhões.

Sempre achei um “cliché” uma pessoa mudar por outra, afinal ou nos amam como somos ou não vale a pena tentar. Sempre achei uma estupidez alguém dizer “amo-te” a todos os segundos do dia. Sempre achei uma idiotice fazer juras, afinal quem mais jura mais mente.

Tenho pena, pena que tudo tenha acabado desta maneira, afinal, sempre pensei que fosse eu a não aguentar visto que fui eu a mudar a minha personalidade e até a minha aparência, por ti. Era como se um fantoche nas tuas mãos. Ora num dia amavas-me, ora no outro odiavas-me. Ora numa noite fazias amor comigo, ora na outra dormias de costas para mim. E, sem porquês, sem explicações. Era apenas assim e eu fui-me habituando a esse teu ser, a essas mudanças de humor inexplicáveis, a esse teu carinho ora a esse teu ódio.

Mudei, mudei imenso por ti e eu sempre pensei que fosse vantajoso para mim e que nada de mal iria acontecer connosco. Pensei que se fosse à tua imagem que nunca te iria perder, que nunca me irias trocar, que nunca me deixarias de amar.

Aos poucos, e mesmo sem o querer, fui-me tornando fria e tu apenas não aguentavas a minha frieza. Dizias que eu não tinha razões para tal, que estávamos bem e que se eu não deixasse de ser assim que metias um ponto final. Ironia das ironias. Tu, que me magoavas dias após dia e eu que me tornei uma bonequinha nas tuas mãos, é que estava errada. E que devia mudar essa frieza que foste tu, e só tu que me a causas-te.

Eu não tive culpa, não tive mesmo. Eu tentei ser a rapariga que sempre sonhas-te ao teu lado, eu até via aqueles filmes de terror por ti e eu sempre odiei esses filmes sem jeito nenhum. Eu até comia as porcarias de fast-food quando saiamos e te dava a fome. E muito mais que isso, eu mudei a minha forma de pensar, de estar, de sentir e até de agir. Era como se eu fosse uma outra pessoa, com o mesmo nome.

Mas confesso que embora me tenhas libertado e mesmo depois de me deixares ir ainda me sinto presa a ti e a este sentimento de saudade e de vazio que me preenche o peito cada vez que me deito na cama onde tu costumavas fazer amor comigo. E cada vez que ouço na minha cabeça a tua voz a dizer que me ama e a tua gargalhada que era a luz do meu dia. E apesar de estar livre, nunca estive mais presa.