Anseio ver-te e amar-te ruidosamente (…)

Hoje por mim sairia de casa com a tua camisola vestida para que de alguma forma, entre o macabro e o divino, me conseguisses abraçar todo o dia.

A tua camisola é a minha garantia de que não foi ilusão e que aquele beijo aconteceu fora da minha mente, que de facto os teus lábios e as tuas mãos tocaram-me e despiram-me a alma, para além das mil repetições de vivências passadas que o meu cérebro processa como um motor de um Ferrari, que para mal dos meus pecados ainda me assombram.

Uma coisa boa da memória é que se te matares aos poucos negando o teu coração e menosprezando a importância dos sentimentos, a coisa acaba por ir morrendo por falta de oxigénio.

Gostaria que fosses cinza para que não tivesse de te aturar mesmo quando não estás ao meu lado. Que as memórias sensoriais que tenho de ti em mim se fossem com o vento.

Anseio ver-te e amar-te ruidosamente.

Reclamar o abraço que a tua camisola me promete, adormecer e extinguir-me entre o ontem, hoje e o nosso amanhã.


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