O Amor de Verdade Magoa…

Ao som de Someone like you, da britânica Adele apeguei-me aos versos “Sometimes it lasts in love, but sometimes it hurts instead” – traduzindo “Às vezes o amor dura, mas às vezes magoa”. Não funciona assim. Não acredito. Talvez, para durar o amor precise também magoar, e resistir às mágoas. Amar dói, magoa. O amor é uma roda gigante de sentimentos, sensações, emoções.

Como é possível que alguém se entristeça mesmo amando e sendo amado? É possível, sim. Relacionamentos estáveis não são sinónimos de felicidade em tempo integral. Há o medo, a insegurança, o ciúme, coisas de quem é humano, ama e se preocupa, medo de perder, de ficar longe, de acabar.

Amar faz-nos seres corajosos em alguns momentos e extremamente medrosos em outros. Amar é desejar flutuar nas nuvens e temer tirar os pés do chão. Qual é o futuro dos apaixonados? Amar também é estar inseguro, por não se saber exatamente onde o amor nos levará. Quando se ama abre-se a possibilidade de se sentir dilacerado por dentro, e assume-se o risco de ser forte sempre que for preciso costurar as feridas e emendar uma cicatriz na outra. Quem ama tem a ousadia de se dececionar, e de ser feliz.

E por amor somos capazes de suportar, de ir ao encontro de forças num poço infinito de probabilidades.

Então, meu amor, quero que saibas: o amor magoa e não é só às vezes. Mas, graças a ele, podemos nos entregar à felicidade, ainda que incerta. E, segundo escreveu São Paulo na carta aos Coríntios, o amor “tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta”. Que assim seja.


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