Amor para que te quero?

Amor para que te quero? Explica-me para que preciso de ti na minha vida se cada vez que prevaleceste em mim tornaste-me uma pessoa mais pobre de felicidade e mais fraca de espírito. Diz-me se te deu prazer teres-me magoado tantas vezes sem sequer me teres olhado nos olhos. Diz-me se te deliciaste com cada gota de esperança que espremeste de mim sem sequer te teres esforçado. Que satisfação pessoal é a tua em veres-me falhar a cada tentativa de te ter?

Sabes o que é realmente triste amor, é que começo a habituar-me a perder para ti, começo a tornar-me insensível à dor que espalhas por mim e às tantas já não fazes assim tantos estragos, já não és assim tão apetecível como já foste para mim um dia. Cada vez se torna mais fácil esquecer-te. Em cada desilusão que me provocas tornas-te mais fraco em mim, menos bonito e menos importante. Oiço muitas vezes dizerem que uma mulher não desiste de amar apenas se cansa. Nada disso amor, eu não me cansei, aliás nunca me canso, eu apenas aprendi a cada dor, fiquei mais esperta, menos vulnerável a fazeres-me sofrer. Não canso, nem desisto, apenas sigo em frente porque mais uma vez fizeste questão de não valer a pena. Aprendi a não levar comigo o peso morto de cada derrota contra ti, aprendi a ignorar o que tem que ser ignorado e simplesmente aceitar que arrastar comigo a dor de ti não me permitiria continuar a apreciar a vida sem te ter. Deixar que tenhas qualquer influência sobre mim seria dar-te importância a mais. Importância que não tens pelo menos enquanto achares que dependo de ti para ser feliz. Quem pensas tu que és?

A carência de amor ludibria-nos, faz-nos adeptos fanáticos do “mais vale um bocado de amor que nada”. A insaciável sede de sermos amados leva-nos direitinhos às más escolhas, aos amores mais rascos que nos podíamos agarrar. Alimentamo-nos do imediato, daquilo que está mais a jeito e esses amores raramente são o que precisamos. Para que te quero amor se nada me dás que chegue para gostar de te ter? Que se lixe a pressão que fazes, que se lixem as expectativas que já criei, não te quero enquanto querer-te não passar de uma necessidade. Vou voltar apenas a fazer-te frente no dia em que finalmente decidires querer-me também.

Deixei o desespero de te ter no dia em que decidi que tu é que tinhas de vir ter comigo. Deixei de mendigar um bocado de ti no dia em que decidi que só tens a importância que eu te der. Comecei a perguntar-me “amor para que te quero” no dia em que percebi que em cada batalha por ti perdia algo mais importante para mim, paz. Percebe…posso não ter nada de ti mas tenho a minha paz de volta, e a minha paz para mim é tudo, e isso não permito que ninguém me roube, nem mesmo tu amor.