E o amor? Tu nunca acreditaste nele!

E lá continuava ele por ali. Todo orgulhoso de já não me ter. De puder andar com a mesma liberdade quase como quando o puseram no mundo. Explorava casas e terrenos, cosmos que antes nunca tivera visto. E era incapaz de admitir que sentia falta do meu calor quando se deitava. Era incapaz de admitir que lhe faltava o meu corpo quando se via sozinho diante do espelho. Conheço bastantes homens que cantam como galos orgulhosos por andarem solteiros, quando no fundo andam é perdidos por terem perdido as mulheres das suas vidas. Boas mulheres. E andam por aí à procura sabe.se lá de quem. Provavelmente à procura de mulheres melhores que eu e tu – aquelas que perderam – como se fossem algum dia capazes de isso encontrar. Lá esperança têm.

Dizem que estão bem, que nada lhes faz falta, que vivem como reis. Postam fotografias com miúdas por tudo o que é buraco só para provar que já não há espaço para nós mas no fim da noite, nem pegam nenhuma, nem nenhuma lhes pega. Andam por aí a trocar mensagens e telefonemas só para nos provar que já não sentem falta dos nossos ciúmes e histórias inventadas e no fim da tarde lá estão eles. De cerveja na mão, a falarem das estúpidas que eramos e das mais absurdas merdas que inventávamos só para lhes sacarmos um “amo.te” das suas bocas, isto nos seus sábios entenderes – como se a criatividade alguma vez fosse defeito, como se um amo.te fosse prejuízo.

Dizem que estão bem mas andam por aí de olhos vazios, à espera de voltar ver o nosso brilho, brilho que mais ninguém lhes consegue dar. Andam por aí de camisinha branca a espalhar charme quando não estão em paz consigo próprios. Tentam chamar a nossa atenção, e fingem.se despercebidos só para que possam meter conversa com o usual: ” Aí não te vi, então tudo bem? ”

Dizem que estão bem só porque fica bem. Fica bem ao homem mostrar que não sente – vá.se lá entender porquê – , que está muito melhor com todas do que só com uma – quando no fim não têm nenhuma – , e tentam acreditar na mentira que eles próprios inventam – para que os outros também o façam. Tentam acreditar que se vive melhor sozinho, só para não terem de admitir que não souberam dar valor ao bem mais precioso das suas vidas. Nós!

Vão passando os anos, os vinte, os trinta, os quarenta, os cinquenta, e sabes que mais? Faço.te falta. Faço.te falta eu, os filhos que nunca criámos, os netos que nunca correram pelos cantos da casa. Faz.te falta as viagens que nunca fizeste comigo, os planos que nunca rascunhámos juntos, o meu silêncio e a minha ausência. Faz.te falta ter alguém que te acorde, ter alguém que te aqueça, ter alguém que te ame. E agora? Agora compra um aquecedor e uma boneca insuflável. Não tem o mesmo efeito eu sei, mas com essa idade também não precisas de muito. Pode ser que seja o suficiente para satisfazer a tua alma pequena. E o amor? Tu nunca acreditaste nele!


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