É amor, mas tu não sabes!

Acredito na facilidade que nos move. Tudo é tão fácil quando o planeamos dentro da nossa cabeça. Uma prova que nos vai correr bem, uma declaração de amor proferida sem insegurança, um presente comprado com a total certeza de que vai agradar ao máximo a pessoa a quem se destina. Como nós. É amor, mas tu nunca soubeste.

Mas a vida, transposta do papel para a tela, não é tão linear assim. Dá voltas, enrola-se e revolta-se de milhões de maneiras possíveis, como luzes de Natal guardadas quase um ano numa caixa de cartão poeirenta. E, exactamente por isso, sei que nunca irei ser capaz de te dizer o que sinto. De te contar que é amor, com todas as letras numa palavra tão pequena, mas tão enorme.

De te dizer que cada palavra tua faz nascer um pequeno sorriso no canto dos meus lábios, e que cada vez que eu te vejo, entrando a medo, encostando ao de leve a porta, e me acenas com essas tuas mãos feridas pela vida, o meu coração se esquece por completo de bater. De te contar o quanto eu poderia ser certa para ti, a menina de porcelana que todos acham ser capaz de partir. A rapariga que seria o teu maior apoio, a tua grande amiga, e não apenas a tua namorada. Aquela que te esperaria depois dos treinos e estenderia as mãos, à espera que a viesses envolver com os teus braços, mesmo que estivesses todo suado, e o teu cabelo se tivesse tornado num autêntico torvelinho irrequieto. Aquela que seria não apenas a tua miúda, mas amiga dos teus amigos e família da tua família.

Sim, se tivesse tido coragem, esta podia ter sido a nossa realidade. Poderíamos estar juntos, neste preciso momento, sentados na esplanada a ver o rio deslizar em frente aos nossos olhos, a ouvir música dentro do teu carro com as janelas abertas ao máximo, a rir das piadas um do outro, fazendo caretas divertidas em frente à objectiva de uma máquina fotográfica.

Mas agora, vejo-te a afastares-te, a fazer as malas em direcção ao teu futuro, e custa-me admitir que eu não vou estar nele. O problema é que nunca fui mulher de desistir, de esperar que as coisas aconteçam, de achar que o destino vai reparar todas as falhas do guião das nossas vidas.

Sei que te vais embora, independentemente do que eu te diga, e sei que o teu futuro do outro lado do Atlântico te vai sorrir ainda mais do que eu quando estou contigo. Sei que és forte e determinado, e ninguém te pode tirar isso. Mas sei também que agora, agora que é a minha última oportunidade, vou dar todas as cartas para poder ser mais forte contigo.

PORAna Laura
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