Amor Intemporal

Uma rapariga normal apaixonou-se por um rapaz invulgar.

Ela era sonhadora. Os seus cabelos compridos traziam histórias de mil e uma noites, os seus olhos negros brilhantes reluziam os seus sonhos e tinha um sorriso que iluminava o caminho.

Ele era um lutador, trazia no seu corpo as marcas das batalhas que enfrentara, os seus dedos delicados faziam transparecer a sua habilidade e o som da sua voz parecia melodia amaldiçoada de amor.

Ele despertou um ponto de luz no coração dela e ela despertou a maldição do amor que o consumia, mas que o fazia feliz. Ele era o sol, ela a lua. Ambos eram intensos no seu modo de amar.

Ele passava as noites ao luar a escrever cantigas de amor, compôs a mais bela melodia inspirado no perfume imanado do corpo da sua amada. Certa noite de verão, o calor convidava-os a um passeio, ela colheu flores pela caminho e fez uma coroa que colocou no cabelo, ele beijou-a intensamente, ajoelhou-se e pediu-a em casamento – amo-te porque amar-te faz-me feliz, quero amar-te até morrer, deixa-me fazer-te feliz, faz-me feliz. Aceitas casar comigo? – Os olhos dela brilhavam, as lágrimas molhavam a sua face rosada e com a sua voz sufocada foi capaz de proferir aquilo que ele ansiava ouvir – aceito, claro que aceito meu amor! – Mal sabiam o que o futuro lhes guardava.

Um passo em falso que deixou a felicidade de ambos destruída. Ambos separados, ambos amaldiçoados por um amor impossível.

O tempo passou. Ela refez a sua vida. Anos depois ele aparece. Ela fazia anos. Ele trouxe um ramo de rosas, trinta e quatro rosas, cada rosa por cada primavera que ela viveu. Quando se viram os corações entraram em palpitações, ele não conteve as lágrimas e levou os seus joelhos ao chão como tinha feito dez anos atrás; pediu desculpa; ela sorriu e disfarçou a tristeza que a consumia por dentro. Ele entregou-lhe uma caixa com uma fita de laço da cor que ela mais adorava. A caixa escondia memórias daquilo que outrora foi a felicidade de ambos. Em destaque tinha um bilhete – “Dez anos não foram suficientes para matar o meu amor por ti. Todas as noites és tu quem eu imagino a meu lado, tudo é uma ilusão, procuro por ti no meio dos meus lençóis e não te encontro. Desculpa, não merecias o sofrimento que causei! Hoje estás uma mulher que muitos sonham, a mulher que eu sempre sonhei, mas que não dei valor. Vou morrer a amar-te e é isso que me conforta.”

Ele foi embora e ela escondeu-se no quarto a chorar. Ele desapareceu e nunca mais se cruzaram.

Amor que o tempo não destrói.

Amor verdadeiro que muitos sonham, mas poucos conseguem.