Amor de mãe…

Não gosto datas comemorativas sem sentido, em geral. Quem ama, deve amar o ano inteiro, não apenas porque uma marca num calendário nos incita a tal. Um ramo de flores, uma mensagem carinhosa, um abraço forte numa noite de Verão, e pronto, que venha o ano seguinte. Mas há um dia que amo e aprecio mais do que todos os outros. O primeiro Domingo de Maio, o dia em que agradecemos a existência de quem nos trouxe ao mundo. O dia da mãe.

Mas não é pela aproximação desta data tão especial que decidi dedicar estas palavras ao mundo, a todas as mães do ontem e do hoje, e em especial à minha. Não, neste dia, em que acordei com a janela virada para um céu azul numa manhã de Primavera, o meu coração bombeava a necessidade de agradecer a quem me fez tão bem, e tão pouco reconhecimento tem por isso.

Por isso te digo, mãe: obrigada pelos anos, dias infinitos de bondade, de carinho, de compaixão sem limites. Obrigada pela saudade quando partes e a felicidade quando retornas a casa, pelas noites em claro a tomar conta de uma criança birrenta, pelas horas somadas à espera da saída de uma aula de ballet, de um treino de ginástica ou de uma tarde em casa de uma amiga, pelo amor desmesurado e incontável que prevalece mesmo apenas num simples desejo de um bom dia, ou a preocupação em saber se cheguei bem a casa. Por abdicares do que é teu para que não me falte nada, por te despires do teu conforto para que eu nunca tenha vivido um dia sem o meu, pelas lições de vida que me ofereceste de mão estendida, pelo perdão que me deste em troca de todos os meus erros, pelas vezes em que te irritaste comigo e me deixaste desabada, consciente das minhas falhas e de quão tu, e só tu, és o maior dos tesouros do mundo.

Mãe, que palavra tão pequena, que encerra nela a bondade de um milhão de infinitos. És alento quando me sinto a ruir, és embalo para as minhas noites de choro infinito quando me sinto magoada e me ofereces o teu colo, apesar do meu corpo (e não o meu espírito) já estar demasiado grande para ele. És companheira quando me sinto sozinha, e a dor no meu peito parece querer esmagar-me viva. És carinho sem limites, que me curou todas as feridas trazidas pelo vento. És uma super-heroína a todos os momentos, mesmo nos desafios que nunca soube que existiram. E mesmo nas palavras de ódio, revoltosas, irritadas, destinadas a ferir-nos mutuamente, nelas reside o amor verdadeiro.

Obrigada mãe, por eu ter saído vencedora neste jogo do azar que é viver, e me tenha calhado cruzar a minha vida com a tua. Por seres mãe, pai, amiga e professora, mesmo quando não mereço, e sem nunca te teres queixado disso. Por me teres permitido tornar-me tua filha numa noite fria de finais de Dezembro, e me teres dado a sorte de te poder chamar de mãe. Garanto-te, não há medida de palavras para expressar tudo o que há para dizer sobre um amor tão grande. Orgulha-te de ti, e mesmo quando não o fazes, eu orgulho-me pelas duas.


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