Amo-te incondicionalmente!

Amo incondicionalmente, mesmo não sendo meu, não sendo minha propriedade, mas é assim que eu sinto. Tenho a consciência de que, como um pássaro ele terá que voar, mas o meu coração amolece só de pensar que este ser no meu colo, um dia não mais irá de mim precisar. Os meus olhos afundam-se em lágrimas só de o contemplar. O rosto sereno e mãozinha no meu peito, enquanto sinto a respiração leve e profunda de quem está descontraído e se sente seguro. São várias as vezes que dou por mim a imaginar como ele será daqui a uns anos, com imensa pena que estes momentos do agora lhe possam ser vagos. Momentos da mais pura natureza, nos quais eu o percebo melhor do que ninguém e onde o meu bebé parece, por vezes, perceber que o amo e estou aqui para o ajudar, com o seu simples olhar. Olhar mais puro que o do meu filho não existe para comigo, em mais ninguém.

Por isto e todo o turbilhão de sentimentos que envolvem esta relação, afirmo que amor de filhos é diferente do amor de pais. Enquanto filhos, pensamos que temos consciência do quanto os nossos pais gostam de nós, e chegamos até mesmo a achar (afirmando com todas as forças) que sentimos o mesmo por eles. Não…não é verdade. E esta é uma realidade que só se sente e percebe com a vivência, ninguém faz ideia da mudança interior que ocorre dentro de nós. É como se de repente o nosso mundo se renovasse e nascêssemos de novo, com objectivos diferentes, um olhar diferente, tudo é diferente.

Ao relembrar tudo o que já passei na vida, todas as pessoas menos boas que conheci, todos os problemas no mundo, sinto um aperto no coração. A sua carinha de quem ainda não percebe, “não vê” o que se passa lá fora, não tem maldade, não tem noção do que ainda vai sofrer, porque não os conseguimos livrar de todo o mal. E isso… destrói-me completamente. É óbvio que estou ansiosa e super feliz para testemunhar cada evolução dele. A primeira palavra, os primeiros passos, a primeira ida à natação. Mas esta necessidade de proteger e medo de o perder, fazem surgir em mim o “egoísmo” de mãe. Aquele egoísmo que precisamos controlar cada vez mais, à medida que o tempo passa. Eu sei (sempre soube, mesmo antes do Rafael nascer) como quero educar o meu filho. Sei que vou precisar dar algum espaço, transmitir confiança e à vontade para confiar em mim sempre, como se dos seus amigos eu me tratasse. Porque embora poucas pessoas acreditem ser possível, eu acredito e sei que é possível existir essa relação, a partir do momento em que, tal, só depende de nós.

Não vou mentir, tenho medo de o deixar voar, tenho medo de o perder, tenho medo de muitas coisas que antes não tinha. O escudo é destruído sem a nossa permissão e o nosso lado mais sensível fica descoberto. Por mais que esperemos voltar ao que eramos antes, não vale a pena, essa pessoa morreu e nasceu outra melhor. Eles fazem emergir o melhor de nós, e ensinam aquilo que nem a vida sabe ensinar. Cai uma lágrima por cada dia que passa e não irá voltar, por cada olhar puro que irá mudar, por cada sorriso verdadeiro e não para disfarçar. Gostava que a profundidade e ingenuidade destes olhos se mantivessem para sempre, e de cada vez que os nossos olhares se cruzassem, fosse como a primeira vez.