Amo-te mais do que devo, muito menos do que mereces.

Mereces ser feliz, sabes? Claro que sabes, sorris como se o mundo acabasse amanhã. Vives de ser feliz. Eu vivo de te ver feliz.

Nunca percebi se existes realmente em mim, ou se eu apenas sobrevivo e existo graças a ti. Essa tua forma tão própria de consumir o Sol. És tão tu, e eu sou tão eu.

Sinto que nunca vivo a 100% quando estou a teu lado, não culpo o teu abraço ou o teu beijo, não culpo o teu sorriso ou a tua pele suave, também não culpo o brilho que trazes no olhar nem a felicidade contagiante com que acordas de manhã. Culpo-te apenas a ti, pela falta que me fazes mesmo quando estás aqui. Culpo-te por fazeres com que os meus dias passem sempre demasiado depressa quando estás perto, culpo-te porque as horas nunca são suficientes para viver contigo cada segundo de Sol de verão. Culpo-te por não seres capaz de parar o mundo quando me abraças e dizes que sou muito melhor do que qualquer outra pessoa do teu passado.

E então tu vais embora, por um tempo indeterminado e nunca avisas quando chegas ao teu paradeiro, então pego no telemóvel 28 vezes numa hora, penso se devo ou não enviar mensagem só para dizer que te amo e que sinto a tua falta. Decido pousar o telemóvel e esperar pela tua mensagem, que nunca chega, mas eu espero.

E então tu vais embora, para um lugar que nem fica perto de mim, muito menos perto de nós, e distanciaste, só porque sim, não ligas a dizer que me amas porque tens vergonha e não queres que ninguém saiba que por baixo dessa máscara de rufia existe um coração apaixonado.

E então tu vais embora e eu fico aqui, sentada à espera que regresses e me acalmes a alma e a mente, que viveram momentos de turbilhão constante porque nunca sei se estás onde dizes estar, mas é ainda cedo para desconfiar. Ou tarde para confiar.

E então eu sossego a cabeça quando dizes que estás a chegar e eu percebo que foste apenas trabalhar, mas fizeste-me falta. Fizeste-me tanta falta que senti que o mundo aqui dentro estava prestes a rebentar.

Sinto que não vivo a 100% do teu lado porque tenho medo de te perder a cada segundo que passa. E eu sei que é feitio teu (e não defeito) quando olhas para todas as pessoas que passam na rua, sei que é feitio teu comentares inocentemente que aquela miúda das fotos até tem um sorriso engraçado. E eu sei que eu sou o teu defeito e faço dos meus defeitos o teu feitio, mas tu não és assim, pois não?

Solta-me das amarras do tempo que não vivo e pára-o só para nós. Impede que o Mundo gire e que nos deixe adormecer aqui nesta cidade só mais uma vez, que dure para sempre este sonho e que se tornem realidade todos os outros sonhos que sonhamos.