Amo-te e até já!

No silêncio do quarto descanso o ruído do coração. Aperta no peito a saudade do abraço que teima em atrasar. Olho para o relógio e no tempo encontro um inimigo. Lento na tua ausência e veloz na tua presença. E sem pousio descansado, tento pôr nas palavras o que o meu olhar já cansou de chorar.

Lembro-me de ver o amar como a tormenta dos idiotas, o refúgio dos perdidos. Que era egoísta conhecer em alguém a metade que dizemos não ter e de simples figura esperar um tudo para sempre. Ria-me da paixão como espectadora ignorante, olvidada de uma felicidade que só conheci com o teu sorriso.

E hoje sou uma idiota, uma perdida que em teu peito encontrou refúgio. Egoísta ao ponto de negar partilhar o teu sorriso com mais alguém, esperando de ti o tudo que preciso na eternidade do nosso para sempre. E rio-me da alegria que com um olhar em mim despertas, do calor que o teu toque acende. No teu abraço sou a segurança que nunca soube reconhecer e na tua existência encontrei motivo para acreditar na melodia do bater.

Admito que não é fácil. Nada. Que choro na tua ausência e em travos amargos de despedida, o meu coração se parte a meio. Em dois se dilacera para garantir que levas sempre a tua metade, esperando sempre que venhas rápido para completar a metade que sem ti não sei ter. Hoje sei o que é amar alguém, hoje sei o que é te amar. Sei o que é esperar desesperadamente por uma mão e aos setes ventos gritar pela sombra de quem não está sempre cá. Mas também sei o que é encontrar na memória aconchego para a noite e na presença oculta companhia para os dias duros. Que a ausência quando se ama é mera palavra que dois corações não sabem sentir.

Amar não é fácil e tu és toda a minha esperança no meio desta tormenta.

Em feitio difícil escondo o medo, o receio de um destino que sem piedade nos testa. Que a vida te leve para um céu que já não é o meu, para um rumo onde qual não partilhamos meta. E é neste medo de quem muito te ama que vejo na tua voz a tranquilidade de um futuro que chega. Ensinas-me a ser paciente numa impaciência para mim mortal e sonhadora numa realidade desleal. Mas acima de tudo ensinas-me a ser feliz! A amar e a ter a sorte milionária de ser amada em retorno com a mesma intensidade.

Hoje amo-te com tudo o que sou e tudo o que sou é teu. E amanhã amar-te-ei ainda mais com tudo o que me tornas e tudo o que me tornas será nosso.

E obrigado por seres a minha metade, o perdido que em mim encontrou porto e o idiota que se atreve a amar-me até na tormenta da vida.

Amo-te e até já!

PORPaula Cerqueira
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