Amo o seu filho

Eu adorava ter uma forma simpática e amistosa de começar esta conversa, mas confesso que a única coisa que posso ser é, politicamente educada consigo.

Sim, esta conversa é já fora de tempo, pois o meu namoro com o seu filho, segundo lhe parece, já foi à demasiado tempo e “ainda bem que terminou, porque eu não era a pessoa certa para ele”.

Pois, não devia mesmo ser aos seus olhos.

Aos olhos não demonstrei o devido amor por ele, e sempre errei, enquanto ele, sempre foi o santo.

Não. Não posso dizer que ele me traiu, isso seria mentira, porque se existe algo que me orgulho é de ele ser um homem correcto comigo, nesse campo.

Sabe, eu sei que acha que errei, quando nos via discutir e só ouvia uma versão da história. Eu sei que acha que o meu feitio é demasiado insuportável, para a alma pacifica do seu filho.

Eu sei, não se preocupe.

Mas digo-lhe… as vezes em que discuti com ele, foi porque quis que ele fosse alguém capaz de tomar decisões e que não estivesse à espera da minha decisão ou da minha opinião.

As vezes que amuei, foi porque me custava ver que a personalidade dele estava tão escondida, nele mesmo.

Sim, eu sei que para si, eu é que sou a errada nisto tudo.

Confesso que tenho a minha parte de culpas, mas custa-me saber que o conseguiu convencer de algum modo que eu nunca serei “boa o suficiente” ou “certa o suficiente” para ele.

No início achei que era por me achar uma menina mimada, por achar que eu e ele éramos demasiado diferentes.

Não se preocupe, teve razão. Eu e ele somos muito diferentes, mas não eram essas diferenças que me faziam afastar dele.

Eu sei que não consegue compreender, mas eu amei, realmente, o seu filho.

Se calhar, até o tenha amado demasiado.

Eu sei que não entende como é que eu gosto tanto de me arranjar, de maquilhagem, de leggings e de camisolas de ombro à mostra. Não se preocupe… eu tenho noção que não entende.

Mas gostava que entendesse o quanto amei o seu filho.

Sim, repito, amei. Amei-o tanto como a minha própria vida.

Amei-o, sonhei casar com ele e queria-o para pai dos meus filhos, dos seus netos.

Amei-o quando trocámos os primeiros olhares, ainda sem sabermos que era amor.

Amei-o quando ele ficou doente e eu tive uma necessidade insuportável, de o ir visitar, sem sonhar que me estava a apaixonar.

Amei-o quando a nossa cumplicidade começou a ser evidente para todos e quando já nos abraçávamos sem conseguirmos admitir que sentíamos algo um pelo outro.

Amei-o todas as vezes que o olhei nos olhos.

Amei-o, em cada vitória que ele teve, porque, tal como a senhora, cada vitória dele, era uma vitória minha.

Amei-o quando o apresentei à minha família, como aquele que era o meu namorado e meu futuro marido.

Amei-o, quando ele me apresentou à sua família.

Amei-o, quando ele já com uns copos em cima, me pediu em casamento.

Amei-o, principalmente, nos momentos que eram só meu e dele.

Amei-o, até mesmo quando tive de sair no meio de um temporal, porque ele estava doente.

Amei-o, cada vez que ele esteve ao meu lado.

Não se preocupe, eu sei que não me quer para nora, e que não lhe importa o que eu digo… mas preciso de lhe dizer uma última coisa.

O que senti pelo seu filho, nem o tempo apaga… Desengane-se se acha que eu já o esqueci e que ele não significa nada.

Seria mentira.

Amei imenso o seu filho, e preciso de lhe dizer isto, por muito que não queira ouvir… ainda o amo.

Sim, ainda o amo.

Ainda espero por ele, e ainda acredito que ele possa sentir algo por mim…

Amo-o, mesmo que neste momento, ao ler as minhas palavras, abane a cabeça e ache impossível.

Eu sei, que mais uma vez, não irá entender, mas acredite que, além de si, ninguém o ama tanto como eu.

Preocupo-me com ele, mesmo longe.

Sinto-me feliz pelas vitórias dele, mesmo não podendo festejar com ele.

Sim, ao fim de tanto tempo separados, ainda o amo.

É isso que custa… confesso-lhe que também gostava de não amar, para não sentir esta dor da ausência dele.

Confesso-lhe que já tentei arrancar o sentimento e que ele já tentou que eu o odiasse, mas não dá.

Tentei tanto…

Acredite em mim, quando lhe digo estas palavras…

Lamento dizer-lhe isto.

Desculpe, por apesar de tudo, eu ainda o amar.

Lamento imenso.

Amo o seu filho e é para sempre.

PORPatricia Rebelo
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