América!

Um dia volto à América, buscar o que de mim deixei, buscar o que ficou por fazer, como se o passado esperasse por nós. Às vezes pergunto-me o que é que ainda estou aqui a fazer, mas – cedo ou tarde – todos tomamos decisões, isso é certo. O que custa é ter o coração dividido, separar o passado das oportunidades, e essas acabam. Deixar quem amamos pode ser tanto corajoso, como egoísta.

O problema é a felicidade: é que nem sempre as melhores oportunidades são as mais felizes. O problema é a saudade. Não, o problema é termos de escolher. Soubéssemos quem seriamos hoje, talvez fossemos outra coisa qualquer. Que castigo maior nos poderia dar a vida, do que sermos feitos de decisões que tomamos, sem no entanto sabermos se foi certa ou errada.

Talvez um dia ganhe coragem, ou cobardia, talvez um dia faça as malas.  Talvez um dia te veja, pai, e talvez um dia te deixe, mãe, ou talvez um dia vos deixe. Porque Deus quer. Só tem que querer. E talvez, do lado de lá, veja a América.

Por enquanto a América é um horizonte que se estende pelo Oceano, uma questão de quilómetros, quero acreditar sempre nisso, Pai, que são apenas quilómetros, malditos quilómetros.

A América és tu, Pai. A América sou eu. A América são as palavras que nunca dissemos. A América é tudo aquilo que ficou por viver.

 


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