Amar ou perder, ser feliz ou sofrer!


A vida é um poço sem fundo de instabilidades. Num momento temos tudo e no outro rastejamos, implorando para que nos devolvam o que tão cruelmente nos foi arrancado.

É impossível ir dormir com a certeza de que o dia seguinte será ensolarado e cheio de novas oportunidades, porque numa questão de segundos o céu escurece e a chuva faz-te voltar para casa.

Todos já perdemos alguém: um amor, um amigo, um parente. Parece que toda a nossa vida se condensa nesse momento, impedindo-nos de recordar anteriores momentos de felicidade. Quase que acreditamos que não existiram, que toda a nossa vida foi pautada na tristeza e na dor imensa que naquele instante nos domina.

Mas não é verdade. A vida, como tudo, possui os dois lados da moeda: amar ou perder, sorrir ou chorar, viver ou morrer, continuar ou parar, ser feliz ou sofrer. Não nos cabe a nós escolher um lado; que bom seria se assim fosse! Tudo o que podemos fazer é aceitar de bom grado o lado que nos calhar, porque nunca sabemos qual será nem quando se lançará a moeda novamente, pelo que o infortúnio poderá durar para sempre ou por apenas alguns minutos.

Eu não sei. Ninguém sabe. A vida, para além de um poço sem fundo de instabilidades, é uma incerteza constante. É um enorme ponto de interrogação numa página em branco. É uma aventura, um livro por escrever, um mistério por descobrir.

Nem sempre nos apetece velejar nos rios sinuosos da vida; nem sempre queremos ler a página seguinte ou descobrir a resposta para uma questão. Por vezes o melhor é mesmo ignorar, cobrir os olhos e os ouvidos e fingir que não sabemos, que não vimos, que não aconteceu.

A verdade, contudo, é que não podemos fugir da nossa vida nem do nosso destino. Não podemos simplesmente apagar a nossa história e começar de novo; não podemos simplesmente parar e deixar que a vida siga o seu curso sozinha. Porque ela passa, quer nós queiramos quer não, mas é da nossa inteira responsabilidade se ela viaja por bons portos ou se se deixa naufragar.

Hoje ganhaste, amanhã perderás. Ou não.

Vais ficar sem saber ou vais viver para descobrir?