Amar o que já não se tem à frente…

Como se ama à distância? Distância “inquantificável”, amar em parte incerta. Sabemos que está “lá”, só não sabemos onde.

Aprendi a amar à distância das estrelas, no ano em que se pôde observar estrelas mais brilhantes. Não perdi ninguém, só deixei de ver a minha luz. Encontrei-a de novo quando lhe falei e do céu um brilho surgiu.

Aprendi a amar à distância, porque fui forçada a tal, porque jamais deixaria de amar a minha Mãe.

Aprendi com facilidade, porque a necessidade dela é constante e sentir que o amor é retribuído afoga o meu coração em conforto. Tu não vês o meu amor, não o demonstro agora. Na serenidade do meu quarto, na calmaria do meu quotidiano amo-a e mais ninguém precisa de ver ou saber, só eu e ela, um “nós” como sempre fomos durante dezoito anos.

Como se ama o que já não vejo? Imagino-a, relembro-a. Linda, de sorriso tímido, agora a descansar… E ela está feliz! Por ver retribuído todo o amor que sempre me deu.

A ela sim! Amo de Janeiro a Janeiro até o Mundo acabar, pois outrora vivi amor tão verdadeiro como o nosso, e sabes? Já me disseram (e é verdade!) que “o amor não morre com a morte”.

A morte lembra-nos que devemos valorizar e ensina-nos outra coisa muito importante: amar à distância de uma estrelinha, de um olhar, de uma expressão, de um objeto ou de uma memória.

Igual não é, mas é verdadeiro!

Sinto falta de abraços e de beijos, de palavras e de gestos, mas com o tempo aprendo a lidar com essa ausência. Amando lembranças, retratando momentos, tomando atitudes trespassadas.

Hoje, amo o que não tenho e, mesmo o que tanta falta me faz, tanto amor me dá!

A morte não é o fim de nada! É uma forma mais evoluída de amar, que poucos dominam, mas têm uma vida para praticar!

PORÍris Pires
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