Amar em segredo

Uma vez olhaste para mim olhos nos olhos e perguntaste:

-O que é que sentes por mim?

Eu desviei o olhar, respirei fundo e disse:

-Nada.

Voltei a olhar para ti, tu sorriste e disseste:

-Esta é a minha menina! Não te apaixones, se não vamos ter que nos afastar.

Eu voltei a sorrir, apesar de ter vontade de chorar e tu continuaste:

-Sabes que eu não me apego a ninguém. Continuemos assim, amigos. A nossa relação está bem assim, para quê mudar? Há tantos casais de namorados que com o passar do tempo passam a odiar-se… Tu não queres isso para nós, pois não?

Eu respondi num sussuro quase inaudível:

-Não. Tu tens razão, nós estamos bem assim.

Digo-te que nessa altura quis gritar:

-Eu AMO-TE. Por favor, ama-me também.

Se hoje voltasses a perguntar- me o que sinto, eu diria:

-Sinto que é amor, amor verdadeiro! Sinto que vou amar-te para sempre! E sinto que serás sempre a minha ilusão, porque eu continuo a achar que, um dia, tu sentirás o mesmo que eu.

Continuarei iludida até ao dia da minha morte e se, inicialmente, atribuía a ti a culpa de não me afastar, hoje atribuo-a a mim, porque apercebi-me que tu nunca me prendeste e que, afinal, estou presa a ti por vontade própria.

Podem passar-se mil anos, mas eu continuarei a amar-te secretamente, porque para poder usufruir da tua companhia, da tua amizade, do teu corpo, dos teus beijos, etc., tu  nunca poderás saber que eu amo-te.

Este texto é para todas as pessoas que tal como eu amam em segredo, que convivem com a pessoa que amam como se nada fosse, que, à noite, choram contra a almofada porque continuam a ter que dormir numa cama de casal, sozinhas. Para todas as pessoas que não sentem o calor do abraço da pessoa amada e para todas as pessoas que amam sem serem correspondidas!

PORCarla Teixeira
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