Ama-se só uma vez…

Amo-te. Uma declaração tão forte e tão banalizada. Uma palavra que traduz um sentimento insubstituível e inesquecível.

Amar… Algum de vós já amou? Esse amor acabou? Então não era amor. Amar… é nunca esquecer. Nunca parar de sentir. É quando nos morre alguém querido e nos lembramos dele todos os dias, com a mais profunda das tristezas. E tentamos procurar em cada canto, em cada pessoa, em cada rosto, algo que apazigúe a nossa dor e preencha esse vazio deixado; mas nunca sendo capazes de encontrar.

Eu nunca amei, porque eu amo. A minha família; e quando digo família, incluo o meus animais e o meu Deus. Amo-os e sem eles não vivo. Agora… um homem? Um homem pelo qual tenha sentido uma atracção animal? Não. Ainda não encontrei esse amor; essa alma gémea, como muitos dizem. E se a encontrei, ainda não houve a oportunidade de que tal sentimento se desenvolvesse.

Vejo pessoas a falarem de amor. A dizerem «Eu amei fulano tal» e fico a pensar: não, não amaste. Se amasses não tinha terminado. Se amasses formava-se-te um nó na garganta ao pronunciares o seu nome. Se tivesses amado, hoje não te conformavas com os braços de outra pessoa, tampouco dizias que tinhas um novo e melhor amor. Não existe um novo e melhor amor! Existe amor. E amor é um só. Existem muitas paixões, há quem lhe chame tesão, há quem lhe chame ternura misturada com amizade; mas são paixões. E paixões, não são amor.

Vocês vivem mil vidas e nessas mil vidas vão amar com perdição a mesma pessoa. Não, não significa que ficarão ao lado dela. Infelizmente a vida está cheia de crueldades e repleta de pessoas que são como vidros no caminho que percorremos descalços, e muitas vezes… não se fica com quem se ama. Mas amor, é só um. Ama-se só uma vez, mas ama-se para sempre; como já ouvi alguém muito sábio dizer.

Amar é como matar, por muito bárbaro que isto vos soe. Quando se mata numa vida, mata-se nas outras todas. Quando se ama numa vida, ama-se nas outras todas.

Amantes são como assassinos que, de vida para vida, procuram por aquela pessoa para lhe cravarem no peito o cruel punhal que a fará sucumbir a um sentimento para o qual todas as descrições são insuficientes.

Ama-se só uma vez. Se o vosso amor acabou, não era amor. Conformem-se.


RELACIONADOS




PELA WEB

Loading...