“Ama-me ao amanhecer” – Dizias-me. E o amanhecer acabou por não aparecer…

Ainda me lembro de me verem nos teus braços e ainda me perguntarem se era feliz, não sei se eram ignorantes ou somente cegos.

– Mata-me mas não me deixes morrer.
– Mato-te?
– Sim mata-me, mas não me deixes morrer.

A tua imagem era como prazer antes de viver. Sei lá, havia tanto para tocar, e apenas uma pessoa.
Se vieres, traz-me contigo.

Antes de te conhecer, acreditava no amor eterno, agora desprezo-o, piso-o e, agradeço-te.
” Ama-me ao amanhecer “- Dizias-me.
E o amanhecer acabou por não aparecer.

Conhecemo-nos quando me largaste aquele sorriso, e foi aí que percebi, que ele servia para amar – pudesse eu ter lido o futuro.

” A felicidade é a possibilidade de Deus, não mais, a possibilidade de um milagre ”

E o que é mais feliz do que ter a certeza desse milagre? De ver esse milagre mesmo em frente dos teus olhos ?

Foi aqui que percebi que o amor chegava, o amor chegava para unir duas pessoas, dois corpos, se estás com alguém que amas, de certo, que estás bem, mas se estás com alguém que não amas, de certo que estás mal.

E foi aqui que percebi que nos faltou algo, que o amor não chegou, não chegou porque um amou mais que o outro. Porque fingir é estranho quando não o usamos para amar melhor, é que fingir que estamos doentes para ter mais carinho é aceitável, sabes? Esses fingimentos fazem sentido, agora os outros não os entendi, e sinceramente, não quero entender, confesso-te.

Houve momentos que te sentia como se fosses vento, ora ias ora voltavas, com a maior certeza, que eu estava aqui, há tua espera. E tinhas razão não é verdade?
Mas não me vais dizer que esperavas que eu te esperasse para sempre pois não? Ou achavas-te assim tanto para o insubstituível?

Hoje, percorri todos os lugares onde me disseste que não deixavas, lembras-te ou queres que te lembre?
E sabes o que senti? Senti-me livre, senti-me fortemente uma mulher livre, uma mulher inamorável, independente, uma mulher. E sorri. E ainda sorrio.
Percebi, que não se pode mover montanhas por quem nem montes move por ti. E eu movia o Mundo se pudesse, aliás, tu eras o meu Mundo. Sentia que tinha o Mundo nas mãos. Mas infelizmente, o Mundo não pode ser exclusivo, e por isso, nunca foste somente meu.

Deixei de ter medo de abrir as mãos a outros Mundos sabes? Mas desta vez, o meu próprio Mundo. Porque se algo que tu me fizeste ver, é que, se o coração me diz para ir a algum lado, eu devo ir, sem medo, sem expectativas. Só eu, porque o amor próprio é bem capaz de ser a melhor maneira de ser ridículo, e por isso, dou-me asas, voo por aí, porque a Primavera não acaba, por morrer uma andorinha.