Alguém que nunca se esquecerá de ti!

Querida Coimbra,

Ainda te lembras de mim?

Adiei esta carta muito tempo, e guardei-a de selo posto, escondida debaixo de uma pedra perto dos correios,  mas chegou a altura de a enviar.

Sim. Era naquele banco da estação ruidosa de Coimbra-B que eu esperava solenemente quase todas as sextas-feiras ao final do dia, por um comboio que me levasse para Caldas. E quando chegava domingo e eu tinha que voltar, era a viagem mais rápida, a mais sofrida de sempre. Admito que muitas vezes perdi o Comboio de Caldas-Coimbra só para poder passar mais uma noite cá, mais umas horas com a minha família, só para poder cá jantar, só para poder ver os olhos da minha mãe a brilhar, mas admito também por trás do meu regresso semanal a Coimbra estava sempre uma viagem inundada de lágrimas amargas e intermináveis. No entanto, agora percebi que é aí que eu pertenço.

Coimbra deu-me tudo o que eu nunca vou esquecer, deu-me a verdade crua e dura da vida. Pôs na minha vida pessoas incrivelmente inesquecíveis, pessoas genuínas, pessoas com verdade, pessoas com vida.

Dia 2 de Agosto de 2011, cheguei eu a Coimbra carregada de malas saudosas e quebradiças, e parti exatamente no dia 26 de Junho de 2014. Vivi ai apenas três anos, mas sinto-me como se tivesse ai pertencido a minha vida toda. Eu respiro Coimbra. Caldas é a minha casa, mas Coimbra é o meu orgulho e o meu grande amor, e as saudades que já tenho são impressionantes.

Conheço Coimbra como a palma macia da minha mão, conheço cada rua da baixa de Coimbra. Jamais me vou esquecer do caminho para aquele lugar no parque verde da outra margem do rio, da ponte Pedro e Inês que me levava ao meu destino perto do recinto da queima das fitas. Ai era o sítio mais aconchegante de Coimbra. Eu adorava estar, junto da margem calma do rio, onde eu enchi tantas folhas com mas e porquês, onde eu atirei pedras ao mar, onde eu ouvia a minha musica, era ai onde eu encontravam solução a tudo, era como se o Mondego fosse um psicólogo mudo, que me limpava a alma.

As pessoas de Coimbra são diferentes, e obrigada por isso. Arriscaria a dizer que é um mundo diferente, e quem lá vivi sabe bem do que falo. Para ser de Coimbra não é preciso lá nascer, basta lá viver, e sei que há muitos de vocês que entendem o que eu quero dizer. Por onde passei fiz sempre amizades que levo para a vida, ganhei carinho por todos. Mentiria se dissesse que vim chateada com alguém, ou que guardei rancor, porque não é verdade. Obrigada a todas, e não preciso de referir nome ou nação porque todas elas sabem bem quem são.

Em Coimbra encontrei tudo, Coimbra preparou-me para realidade da vida, preparou-me e ensinou-me que nem todas as pessoas tem um coração puro e genuíno, que algumas são más e horríveis, falsas até mais não, que são pessoas que eu não quero na minha vida, ensinou-me a lidar com isso e preparou-me.

Tenho saudades de todos aqueles autocarros laranjas que percorriam a cidade, e que chegavam sempre atrasados e a abarrotar de gente, principalmente o 33 às 8h, era como se fossemos numa lata de atum meia aberta. Tenho saudades de apanhar o 24t e dar uma volta, só mesmo para espairecer a cabeça e des (cobrir) Coimbra. Tenho saudades de apanhar uma chuvada enorme daqueles dias invernosos e gelados. Tenho saudades de todas as pessoas que me amaram e me fizeram feliz. Fiz amizades em Coimbra que ainda hoje guardo, e não é a distância que as destrói, porque quando as pessoas querem, não são km que as afastam, mas sim que as unem na esperança de um reencontro. Tenho saudades das minhas confidentes. Tenho saudades de.. No final de tudo, tenho saudades tuas Coimbra!

Coimbra terá sempre um lugar especial na minha vida. E um dia vou voltar ao lugar que mais feliz me fez. Porque, sempre que eu estava naquela estação ansiosa pela chegada do comboio eu só sabia o que era ir e voltar, agora sei que o que doí mesmo é ir e não regressar.

Um até será sempre suficiente para Coimbra eu recordar. Coimbra terá sempre mais encanto na hora da despedida. Mas como disse, não é o fim, eu voltarei.

Um beijo de saudade eterna Coimbra, de alguém que nunca se esquecerá de ti.


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