“Algo só acaba quando o último desiste.”

Sempre ouvi dizer isso…Mas há tanta coisa que insiste em ficar, mesmo sem ser necessária que não me deixa desistir.

Aquele teu riso nas 4 paredes do meu quarto, as nossas conversas até tarde que a minha almofada testemunhou em tantas noites, os segredos revelados, os planos feitos e as promessas debaixo dos lençóis.
Há ainda tanta coisa (tua) em mim.

Ficou o vazio na cama e um espaço grande no sofá, que eu não uso mas que antes refilava que ocupavas e que não me davas um pouco mais.
Ficou o guarda-roupa despido do cheiro da tua roupa e o quarto mais cheio de silêncio, de solidão. Eu sempre te disse que o quarto era demasiado grande quando tu não estavas.

E agora não estás.

As noites de sexta à noite ficaram sozinhas e as manhãs de sábado esquecidas.
Ficou o lugar esquerdo do baloiço do jardim vazio, para sempre. Tu sabes como preferia o lado direito junto à roseira vermelha que me deste de presente.
Ficou a maneira como me olhavas, como ficavas paralisado e quando percebias que tinhas ficado ali tempo demais soltavas um “chata linda” tão espontâneo que eu ria, e via nisso a maior declaração do mundo.
Não, eu não me sentia sempre assim, mas tu conseguias. Conseguias sempre tudo, aliás. Tinhas esse dom.
Ficou as saudades das tuas palavras amorosas e dos teus carinhos constantes que permanecem sempre quando me vou abaixo, acho que ainda estão no meu pensamento e me guiam para cima.

Ficou uma parte de ti que eu imploro que não a venhas buscar. Eu aprendi a viver contigo, agora aprendi a viver só com uma parte de ti. Mesmo que não queiras, vou guardar-te comigo.

Porque há coisas que ficam e insistem em ficar. Mesmo sem terem permissão.

E o pior de tudo é  ficam, mesmo quando tudo já foi embora e não volta, não volta mais…