Eu ainda sou tão tua, mas tu…

Quando te conheci vi em ti a concretização dos meus sonhos, o príncipe encantado que idealizei para mim desde os tempos em que assistia a Cinderela. Surgiste na minha vida como um raio de sol a iluminar as noites escuras do meu peito e quanto mais brilhavas, o meu sentimento por ti crescia.

De meros amigos, tudo evoluiu, eram as conversas pela madrugada fora, os abraços protetores, os beijos doces com aquele gostinho de “quero mais”, as brigas idiotas por tudo e por nada, mas havia entre nós um amor enorme, e esse apesar das inconstâncias da nossa relação, sempre prevalecia.

Tínhamos planos traçados para o futuro, sonhos que sonhávamos juntos todas as noites com a maior vontade do mundo de os concretizar pela manha ao acordar.

24 horas sobre 24 horas, não havia um momento do dia em que me largasses. Nem que fosse aquela mensagem bobinha às quatro da tarde a perguntar se o trabalho estava a correr bem.

Tu eras meu. E eu sentia-me tão tua. Ainda me sinto até hoje.

Um dia simplesmente acordei e não estava lá. Mandávamos todos os dias, às vezes dezenas delas. Naquele dia da tua parte nenhuma chegou. Não chegou o “bom dia” ao acordar, não chegou a mensagem às quatro da tarde, não chegou a mensagem a combinar um anoitecer na praia, com as estrelas testemunhas do nosso amor e as águas cristalinas do mar como cúmplice das nossas loucuras apaixonadas.

Mas eu mandei, talvez umas cinco, dez, quinze ou vinte. Não sei, provavelmente enchi a tua caixa de mensagens com cinquenta a perguntarem-te o que acontecera. Mas nem uma resposta. Nem um “estou bem” e então a preocupação assolou a minha alma e questionava-me continuamente se algo drástico teria acontecido contigo, talvez um acidente de jipe ou uma gripe repentina, talvez tivesses apanhado uma bêbada e tivesses dormido o dia inteiro para curar a ressaca, talvez estivesses atolado de trabalho e tivesses esquecido por mero acaso o telemóvel sobre a mesa de cabeceira.

Demorou, mas caiu a ficha, na verdade, tudo estava bem contigo, tu apenas não querias responder e como doeu, oh só Deus sabe como isso doeu. Mas doeu ainda mais quando no silencio da madrugada o telemóvel tocou “desculpa a minha ausência, daqui a cinco minutos explico tudo”.

Passaram cinco minutos, cinco horas, cinco meses e até anos, e a explicação ficou perdida nos correios da mesma forma que ficou também a tua despedida.

Vejo-me hoje uma louca apaixonada por alguém que não merece sequer uma única palavra das que gastei para falar dos meus sentimentos, apaixonada por alguém inconstante.

Fui apenas mais uma. Até hoje ele não voltou e dói saber que o amor por ele preenche o meu peito quando o amor que ele tinha por mim, jamais existiu.

Eu ainda sou tão tua, mas tu…

PORLetícia Brito
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