Tu ainda precisas de mim…

Não vou permitir que continues com actos de preocupação e gentileza comigo porque tenho noção de que só te alivia a culpa e dificulta-me odiar-te. Não estás a ser mais homem porque o fazes, estás a ser mais cobarde porque o fazes para prevenir que eu não te abandone como tu me abandonaste. Não o estás a fazer porque que ainda me amas mas sim porque não queres que eu deixe de te amar. Tu não queres que eu te odeie, nem tão pouco que desapareça da tua vida, tu precisas de mim, tu precisas de ter a certeza que vou estar aqui, que vou manter-te presente na minha cabeça e no meu coração. Precisas de deixar plantada a semente da esperança que poderás voltar porque se te arrependeres, asseguras que me tens à tua espera. Precisas que eu acredite nisso pelo menos enquanto te der jeito….

Não suportas que te esteja a contrariar porque te toco no ponto sensível, naquele que tu sabes que tens e não queres que ele apareça. Irrito-te porque te sentes julgado, aquele julgamento que está logo ao lado do teu ponto sensível. O ponto sensível que se chama culpa e esse julgamento que tu fazes a ti próprio. Precisas que eu esteja aqui para ti porque sabes que o meu sofrimento pesa na tua consciência mais vezes do que tu consegues suportar. Sabes que magoas todas e quaisquer pessoas que se aproximem de ti e sabes que não o consegues evitar. Sabes que eu fui a pessoa que se manteve mais perto por mais tempo, a mais crente em ti. Fui a pessoa que aguentou mais tempo a ser magoada e a única que não teve medo de ficar e como eu não te afastei, afastaste-me tu.

Precisas que a minha mágoa não passe para ti, precisas que eu reforce a ideia de que és boa pessoa e que apenas estás a tentar ser mais feliz do que eras comigo. Precisas que eu aceite esse pretexto como sendo realidade porque ainda precisas de mim. Precisas porque ainda não sabes ser alguém sem mim porque sempre me tiveste. Precisas porque ainda não sabes o que queres dessa tua nova vida mas digo-te já, não me incluas nela! Não, não contes comigo nem com a minha persistência! Não, não me subestimes nem tentes fazer pouco de mim. Não penses que não te vou dizer que és a pior pessoa do mundo só porque foste a melhor durante anos ou porque ainda és carinhoso comigo. Não penses que me vou deixar envolver nessa tua manipulação sádica.

Ouve com atenção, não te vou puxar para mim nem pedir para voltares! Não vou tomar parte dessa tua decisão, da que foi só tua! Não vou ser a tua nova amiga para continuar a alimentar a esperança de voltares para mim! Acredita, estou a falar a sério, eu já me decidi apesar das tuas muitas palavras. Vou seguir em frente mesmo tu fazendo questão de te manteres presente. Não me venhas com frases batidas e nem me passes a mão pela cabeça. Não me tentes abraçar e muito menos me enchas com beijos na testa. Não tentes amolecer-me nem tentes fazer-me acreditar que preciso de ti como tu ainda precisas de mim!