Ainda não te esqueci…

Esquecer de ti não é tão simples quanto parecia. Descobrir a cura do câncer é mais provável do que esquecer teu número. Meu coração insiste em te manter aqui dentro. Por alguma razão ele ainda pensa que eu + você somos nós. É ele quem se engana quando passa teu endereço ao entregador de pizza. É ele que me leva por caminhos que dariam na tua casa. É ele quem coloca nossa música pra tocar no exato momento que ligo o rádio. É ele quem tenta encontrar tuas sardas em outros rostos e tuas covinhas em outros sorrisos. É ele quem não aceita o ponto final. É por ti cada pulsar dele. É ele quem sabe que não desejo te esquecer.

Penso em ti mais do que deveria. Lembro-me de nós numa proporção prejudicial. Tornei-me dependente de ti e sofro diariamente os sintomas da abstinência de não te ter. Tentei das mais diversas formas explicar ao meu peito que nós não somos mais dois, mas ele ainda nos vê como o casal bonitinho que nunca fomos. Espero que num dia desses meu coração caia em si e perceba que nosso “pra sempre” acabou. Que você se tornou só mais um retrato na minha estante.

Eu já deveria ter posto meu peito nos classificados. Ter encontrado alguém para ocupar a vaga que deixaste. Em vez disso deixo a porta destrancada, na esperança que tu retornes e traga consigo um passado que eu deveria esquecer.

Finjo e digo para mim mesmo que vai ficar tudo bem. Que chegará o dia em que essa dor fará as malas para uma viagem só de ida. Mas sei que meu peito é um aeroporto fechado, ninguém entra e ninguém sai.

Ainda não te esqueci. Temo que não seja uma opção.

 

 


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