Ainda me lembro de quem eu costumava ser…

Não é fácil de dizer que na maioria dos dias eu não me reconheço. Entro no meu quarto, dispo este vestido preto, descalço estes saltos de quinze centímetros, tiro a maquilhagem e olho-me no espelho.

Este lugar, aquela pessoa roubou tudo de mim, tudo o que perdi, foi tudo o que lhe dei. Não é fácil de dizer mas não resta nada da menina que eu costumava ser. Eu costumava ser o centro das tuas atenções, ainda me lembro dessa menina.

Isto não é nada daquilo que desejei, nem tampouco te pedi. Às vezes a vida brinca de esconde-esconde connosco. A vida esculpiu a imagem de uma mulher perfeita, fez-me acreditar que tudo era verdadeiro e fugiu pela porta traseira.

Tu eras tudo o que eu tinha, tudo o que eu sonhei. Para ser honesta, daria a minha vida para viver tudo outra vez, por uma oportunidade de recomeçarmos, para que eu pudesse reescrever um final ou talvez dois para a menina que eu conhecia.

A menina que era ousada o suficiente para encarar as dores com um sorriso. Que se magoava mas que aprendia a fortalecer-se sozinha e a fazer das pedras, degraus para o topo. Mas ela foi usada por um homem incapaz de amar, ficou presa e assustada e a vida que carregava dentro dela, morreu.

Espero que um dia ela se lembre de lutar um pouco mais e recupere o brilho nos olhos.

Ela é imperfeita, mas tenta. Ela é boa, mas mente. Está destruída, mas não pede ajuda. É complicada, mas é gentil. Solitária todos os dias, é uma mistura de histeria. É um rascunho do que já foi. Ela foi embora, quando tu partiste, ela foi embora, mas costumava ser minha.

Ainda me lembro de quem eu costumava ser…

PORLetícia Brito
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