Agora… Posso ser feliz!

Olho para a janela, lá fora o vento sopra forte, com ele vagueia uma poeira acompanha de um assobio melancólico e arrepiante. Fico aterrada. É deveras assustador o que se passa lá fora, mas ao mesmo tempo fascina-me esta imagem que espelha a minha alma, também ela melancólica, escura e assustadora.

Abro a janela e deixo o vento entrar. Sinto uma brisa gélida atravessar-me o corpo e a alma. Fico paralisada enquanto este sopro me envolve, rodopia à minha volta, amarra-me como dois braços fortes. Lentamente, algo surge, algo sai de mim… A mesma poeira que havia visto pela janela, agora sai de dentro do meu corpo.

Vou deixar o vento soprar tudo de mim, tudo o que me faz mal. Leva tudo! Leva contigo esta poeira velha que me atormenta, que me arrasta para um poço sem fundo, que me tira a vida. Por favor, arranca estas amarras de mim.

Sinto esta brisa a percorrer-me, sinto-a até à parte mais funda da minha pele, sinto-a a penetrar a minha alma.

Fecho os olhos e deixo-me embalar por esta força sobrenatural. Sou invadida por uma sensação de liberdade que me faz levitar, todos os meus tormentos vão saindo pela janela. Todas as angústias, todos os medos. Tudo o que me prendia à infelicidade foi transformado em poeira que, agora, vagueia pelas ruas vazias e solitárias.

Aos poucos também este vento, que me envolvia, vai abandonando o meu corpo. Já não sinto mais aquela brisa gelada e arrepiante… Na verdade sinto um alívio, sinto-me livre de tudo!

Volto a olhar pela janela e lá fora tudo está calmo, a poeira desfez-se no imenso céu infinito e a arrebatadora ventania foi para longe, levando com ela toda a obscuridade.

Mas, se algum dia ela me vier visitar, não a deixarei entrar. Fecho-lhe a janela!

Agora posso ser livre! Agora posso sonhar! Agora… Posso ser feliz!


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