Afinal, Romeu e Julieta não acabam juntos


Meu querido amor, porque decidiste amar-me no momento em que o único amor que eu tinha era finalmente aquele por mim própria? Logo tu que me tinhas ajudado tanto a perde-lo, chegas na hora que o encontrei de novo.

Ensinaste-me que se pode gostar mais de alguém do que de nós próprios, algo que não deveria fazer sentido quando existe amor na sua pura essência, mas que fez, visto que o amor que existia era só na minha pura inocência. Como pode uma rapariga ser tonta por amar alguém que de tudo vez para que isso acontecesse, esquecendo-se do fator  sinceridade, que tanto importa desde que em sete dias este antigo paraíso se formou. Como não percebem os homens que na maioria das vezes as raparigas à partida também não querem algo que tenha um rotulo e que a cada passo seja necessário mostrar o que não existe. Antes de haver uma relação amorosa há uma relação de amizade e como pode essa amizade ser verdadeira se no passo seguinte tudo o que criou parece ter sido uma pura falsidade?

A probabilidade de o verdadeiro significado de amor existir talvez seja apenas teórica, mas como pode existir uma teoria tão mundial se o mundo parece só reconhecer a falta do que tanto se fala, do amor. Quanto mais se cresce mais se nota a verdadeira faceta das coisas, com a maturidade alcança-se o patamar de noção. A maior parte dos “gosto de ti” estão cobertos de apenas desejo, e isso não tem que ser necessariamente mau, afinal, se o exterior não mostra fogo de interesse como pode haver o desejo de descobrir melhor a vertente interior de alguém sem nunca a ter conhecido?

Mas com o passar do tempo ai sim notasse, ela até pode ser a certa, mas ele esta na fase errada. As fotos que ele lhe pede não são da alma, são do corpo, e ela é novamente tonta por não perceber que afinal o Romeu e a Julieta não vão acabar juntos, que ela é apenas mais uma Mia khalifa para ele, enquanto aos olhos dela ele é tudo aquilo que fazia sentido nas historias, em que de facto o amor chegava um dia, e chegava num cavalo branco (apesar de ele não ter de facto um, tinha um sorriso que valia muito mais), e ela finalmente ia ter alguém para poder gozar de todos os outros e ele de todas as outras ao pensarem na tontice que foi terem achado um dia que já tinham gostado realmente de alguém.

Ninguém consegue manter eternamente a faísca do amor acesa em alguém, um dia acaba por se apagar, e ai o sopro de revitalização que precisava a tanto tempo já não vai ser suficiente, até porque nada é suficiente para a reacender quando ela finalmente decide que daquela faísca só restam cinzas.