Afinal quem sou eu?

Quem nunca, quem nunca olhou de um sétimo andar como se de uma hipótese se tratasse, quem nunca olhou para um veiculo em andamento como um cenário fácil.
Todos os dias são um novo dia, mas todos os dias são o mesmo sufoco. Será que amanhã vai ser melhor? Será que amanhã vou conseguir?

Hoje estou eufórico porque sim, hoje estou alegre porque sim, hoje eu sou eu e não o outro que suspira todos os segundos de tortura.

Amanhã volto a ser o outro, olho novamente para a estrada ou de um sétimo andar.
As incertezas que nos amedrontam os amores não correspondidos as complexidades da vida que só existem na nossa cabeça.

Afinal quem sou eu, quando nem eu me decido por quem quero ser.
Continuo a guardar os pensamentos para mim com medo de importunar alguém. Continuo a escrever para não aborrecer ninguém.

As folhas não respondem e a tinta não cura esta dor que me vai na alma.
Não estou só com certeza, mas é o silêncio que nos liga que faz da solidão o nosso pavor.

Sou eu, mas tristemente desacompanhado continuo a fingir felicidade para alivio do próximo.

Tristemente desamparado sou eu  quando estou só.
O medo é  subjetivo quando se respeita mais a solidão que a vida.
Eu não sei quem sou, mas sei que sozinho não sou quem eu quero ser.

PORRafael Barata
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