(…) afinal até sou a pessoa que gostaria de me ter tornado.

Dizem-me, sempre, que tenho que ser uma mulher crescida, a que sabe, sempre, o que faz, como e para onde vai. Dizem-me, que devo criar os meus, sempre, da forma certa, mesmo que eu não entenda o que o certo significa. Dizem-me que devo contribuir, sempre, para um mundo melhor, começando por mim, e pela minha casa.

Sempre que me olho, de dentro para fora, descubro que afinal até sou a pessoa que gostaria de me ter tornado.

Sempre que me escuto, oiço as palavras certas, as que preciso para mim e para os que me sabem ler.

Sempre que os tempos, mais ensolarados chegam, eu percebo que até amo como quero ser amada, e que tudo o que espalho, volta, de mansinho, até mim.

Caminhar, por aqui. Saber do que sou feita e porquê, confere-me a capacidade de esperar pelo que ainda irá chegar, porque apenas poderia ser assim. Desejar, num desejo genuíno, que os outros entrem e permaneçam, na vida que criei para poder ter a vida que esperei, deixa-me, sempre a fazer mais, a ir mais longe e a ter bem mais, de mim, a cada dia.

Ser a que transforma, renova, cuida e ampara, sempre, desassossega-me, mas leva-me a crescer bem mais do que a minha altura. Força-me a saber, tudo, o que preciso de passar, para quem passará comigo, cada um dos momentos que me recordarão do que faço aqui.

Ter medo, e tenho, vezes sem conta, prova-me a minha humanidade e liberta-me do peso de ter, sempre, o que faz falta a quem me faz falta, a mim.

Vou continuar, sempre, neste meu percurso, mesmo que me saiba usada, confusa, e só, numa solidão que apenas me fará perceber, que sozinha, não terei como continuar a ser eu.

PORSue Amado
FONTEFeel me
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