Admite!!!

Admite que tens sempre esperança de o encontrar por acaso em algum lado. Seja no supermercado, ou numa festa, ou na rua. Mas só o que queres encontrar. Ver como ele está depois desse tempo. Sentires novamente a presença dele. Apesar de a sentires todos os dias mesmo estando a quilómetros de distância dele. Porque, por vezes, dás por ti a olhar para aquele presente que ele te deu, ou a pensar nele, ou a cheirares o perfume dele.

E aí sabes que ele continua ali. Não podes tocar, não podes sentir, mas ele continua ali. Dás por ti a pensar como ele reagiria àquela situação ou o quanto ele ia rir com aquela piada que ouviste por aí. E continuas. Continuas com ele mesmo que ele já não queira continuar contigo. Ou talvez queira mas é complicado. E continuas. Continuas a inventar desculpas para ele não estar aí contigo mas “Quem quer, fica”, não é verdade? Talvez não seja.

Admite que continuas à espera daquela mensagem. Todas as manhãs, ao acordar, pegas no teu telemóvel e esperas que aquela pessoa te tenha mandado uma mensagem. Seja a pedir desculpas, ou a dizer que tem saudades, ou um simples “Olá”. Não interessa. Só esperas que ele se tenha lembrado de ti tal como tu te lembras dele a todas as horas.

Admite que esperas um dia voltar a beijá-lo. Voltar a sentir os lábios dele. Voltar a tocar-lhe. Voltar a sentir o corpo dele. Voltar a sentir o abraço apertado que te reconfortava tanto. Voltar a sentir o desejo insaciável que ele tinha por ti e tu, secretamente, continuas a ter por ele.

Admite que esperas um dia voltar a abrir a porta de tua casa para ele entrar. Na verdade, esta está sempre aberta para ele mas ele teima em não aparecer. E tu esperas, aguardas, desesperas por vê-lo ali novamente. Por vê-lo a chegar. Por vê-lo em frente ao teu portão. Por beijá-lo ali mesmo. Por trazê-lo para tua casa que aos poucos se foi tornando também dele. Mas esqueces (ou tentas esquecer) que se ele quisesse, ele viria. Ele sabe onde tu moras. Não mudaste de casa. Ele sabe. Só não quer. Mas tu não queres pensar nisso. Ele um dia voltará.

Admite que às vezes ainda sentes aquelas borboletas. Não porque sabes que o vais ver mas sim porque te lembras daquela sensação tão boa quando o vias, mesmo ao longe, e sabias que ele, lá do longe, também estava a pensar em ti. E depois, vias que ele se aproximava e esperavas por ele. Esperavas aquele “olá” tímido de ambos e aquela conversa envergonhada. Mas depois tudo passava e lá estavas tu, outra vez, nos braços dele. E se tu soubesses o quanto ias sentir falta daqueles momentos… como seria?

Admite que queres ouvir a voz dele outra vez. Aquela voz inconfundível. Aquela voz que tu continuas a ouvir na tua cabeça de vez em quando. Aquela voz que te fazia feliz, te fazia rir e chorar. Aquela voz sussurrada perto do teu ouvido quando ele te perguntava porque é que não tinhas aparecido mais cedo na vida dele. Aquela voz empolgada e feliz que ele tinha quando te contava algo que o fazia rir demasiado. Aquela voz suave que ele tinha quando te dizia que eras linda. Aquela voz tímida quando sabias que ele tinha receio do que ia dizer. Mas não queres ouvir, nunca mais, aquela voz triste quando se separaram ou aquela voz amargurada que te fez sentir que não eras suficientemente boa para ele.

Admite que queres dizer-lhe mais uma vez que o amas. Queres dizer-lhe que nada mudou nem vai mudar. Queres dizer-lhe que pensas nele a todos os minutos. Queres contar-lhe tudo o que aconteceu na tua vida enquanto ele esteve ausente. Não é que se tenha passado muita coisa ou seja interessante porque, na verdade, era ele quem trazia animação à tua vida. Mas só queres contar-lhe e senti-lo interessado em ti. Queres dizer-lhe que o queres, nem que seja por uma última vez. Queres tê-lo. Queres que ele seja teu. Queres senti-lo de novo de todas as maneiras possíveis. Apenas o queres. Outra vez.

PORDiana Ribeiro
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