Adeus pai, adeus mãe, olá terror!

Era um dia normal, é sempre um dia normal até que algo significativo acontece… E felizes daqueles que a mudança significativa são coisas boas, um motivo para sorrir, uma agradável surpresa, uma boa noticia, uma viagem, uma infinidade de coisas… FELIZES!

Hoje, ontem, cada vez mais essas mudanças significativas são coisas negras para alguém, não só de cor, mas de sentimento, de maldade…

Ontem foi França, Bélgica, com enorme aparato onde o terror se instalou de forma imprevisível e de um momento para o outro a vida rodou 180° para todos aqueles que viveram e ainda vivem no centro da instabilidade.

Mas não, não podemos esquecer lugares como a Turquia, Iraque, entre outros, onde o clima de terror é constante, onde famílias inteiras de inocentes são julgadas em prol do lugar onde estão instaladas.

E sejamos realistas ninguém escolhe onde nasce, nem em que lugar, nem em que família, ninguém devia ser “rotulado” por isso, mas somos todos os dias!

Mas não deixam de ser crianças.. com histórias de vida diferentes mas sentimentos iguais, a perda, a solidão, o terror…

“Olá sou um menino cujo nome não interessa, sou simbólico, nasci na Síria, no meio do rebentar das bombas, não conheço o som das músicas conhecidas que tantos meninos apregoam pela Europa, mas ainda assim aprendi a viver.

Amo a vida bem como viver, não trocaria a minha família por nenhuma outra, sou daqui, um dia serei um médico que irá ajudar a salvar vidas, as vidas que tantos querem destruir aqui da parte de fora da minha porta.

(…)

Ontem perdi os meus pais, saíram de casa para ir buscar água e não regressaram, disse-me a senhora que mora aqui a frente que morreram, morreram num ataque feito por uns senhores em resposta aos maus que vivem aqui no mesmo lugar que nós.. estou sozinho, não sei o que será de mim, tenho frio, tenho fome.. Não me despedi, adeus pai, adeus mãe!”

A verdade é que esta história poderia ser de um menino qualquer em plena Europa, em pleno século XXI, com contornos de vida bem diferentes, bem mais felizes, mas com um final exactamente igual…

Quantas pessoas foram obrigadas a dizer um adeus antecipado mesmo que sem dizê-lo, tudo por uma guerra que não é sua, que não é nossa, mas que tem de obrigatoriamente ser de todos nós!

É hora de repensar o que realmente é importante nas nossas vidas, o que nos motiva.. Nascemos livres e embora as nossas escolhas nos condicionem de alguma forma é isso que também define a liberdade!

Sejam do partido que quiserem, da religião que quiserem, do clube que quiserem, sejam.. sejam tudo o que quiserem, convosco, mas não o imponham a ninguém, não propaguem uma maldade em nome de algo que não serve de desculpa às vossas ações.

As ações ficam com quem as pratica, mas muitas vezes terão impacto na vida de outros seres humanos que não são de todo obrigados a levar com os estilhaços das vossas ações, das vossas escolhas, na sua vida!

Apesar de tudo, como apenas controlamos as nossas ações e não as de terceiros, vivamos, da melhor maneira que podermos, aproveitando o hoje, dizendo tudo o que queremos dizer antes que seja tarde.. E não saberemos se poderemos dizer o “adeus”, mas não deixemos nenhum “até já” por dizer.. Ou até mesmo aquele “gosto de ti”, “preocupo-me contigo”, digam, façam, mostrem, vivam e  gostem de viver!

POREma Melo
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