Adeus e obrigado…

Em rasgo de sol ele foi e nunca mais voltou… E hoje entre cansadas palavras e gastas frases despeço-me com amor dele, de quem me ensinou a amar na tormenta incansável das tempestades da vida…

Recordo sorriso silencioso de corpo quente que com um simples Bom Dia na escuridão no quarto me sabia guiar. Revejo em áspera mão a ausência dos contornos dos seus dedos e na frieza do toque a indiferença da valsa por ele já esquecida. E, assim, revivo em abandonada sombra o vago Homem que cruel destino me obrigou a perder… Ouso acordar com ele no pensamento e em sorriso de ninguém encontrar na sua atroz ausência o recomeçar de um novo dia. Já não está cá… O colchão não tem a sua forma, a almofada o seu fervor e eu o seu descomplicado abraço. Em lágrimas encontro o confessar da triste dor que meu peito consola e na mudez da voz as sílabas que no silêncio do seu bater já não sabem tocar. Perdi-me entre rumos de melancólica madrugada e em soalheiras tardes do viver procurei rastos de quem outrora ambicionava ser. E, assim, entre anosas calçadas e estranhas ruas tenho lentamente reencontrado nos instantes do respirar a alma que sem ele já não sabia ter…

Vi-o há uns dias e como nevoeiro de madrugada taciturna, escondi-me nos vultos da rua à sua passagem. Ia com ela em largos passos de felicidade. Olhares enamorados aconchegavam os demais à sua passagem e entre suspiros de passada perda vi minha poeirenta alma relembrar o dia que vagabundo coração ele me roubou. Quis parar o presente e em rasgo de loucura ousar rebobinar um passado que já não é mais meu para reviver. E em sol de ninguém a sua mélica figura desapareceu e com ela o constante pesar que meu quebrado peito apertava.

Já não está cá mas também já não é mais meu para estar…

Hoje apenas amor lhe desejo e espero que no olhar dela encontre o brilho que do meu levou em jeito de memória. Que guarde com cuidado os momentos que ousamos viver como um só e que na minha transparente inexistência conquiste o mar em que à deriva me abandonou. Que não se perca nas adversidades desta complexa vida e que em tez de jovem enamorada encontre o quente abrigo de coração finalmente achado. Que em sua voz ele reviva ternurentas palavras de amor, em seus constantes gestos abraços de paixão e que no reencontrar dos seus corpos se apaixone loucamente todos os dias.

Que a ame como eu o amei…

E eu? Eu alegremente viverei, olvidada do coração que hoje não me quer mais ter…

Adeus e obrigado…

PORPaula Cerqueira
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