Adeus, até um dia! Olá meu amor…

Adeus, até um dia.

Peço desculpa mas é mais fácil começar pela despedida. Senta-te, fuma o último cigarro comigo.

Sabes? Eu não te culpo pelo teu egocentrismo nem pela tua estupidez exacerbada.

Talvez eu mesma te tenha dado motivos para te teres tornado nessa intensa avalanche de bipolaridade, nessa onda quente que devora a minha alma e nesse fogo gélido que queima o meu ego.

Sabes? Eu conheço todos os teus tons de voz, todas as tuas expressões. Sei-te de cor. Sei perfeitamente quando trucidas a verdade e quando ocultas uma situação que facilmente me atinge.

Provavelmente esqueceste-te que fui eu quem te ensinou a mentir. Não te sintas constrangido nem me peças desculpa, eu também não pedi.

Eu fiz o que quis e sei que na maioria das vezes não tomei as melhores atitudes, mas na altura agi consoante o que me pareceu ser o mais certo. Só nos devemos arrepender daquilo que não fazemos. Arrependermo-nos daquilo que fazemos é uma tremenda cobardia, uma vez que já sabemos o resultado obtido.

Eu envolvi-te naquele que prometi ser o teu eterno lar, prometi dar o peito a todas as balas que te pudessem ferir e de tudo isso, só restou um vazio. Um vazio agridoce.

Agridoce porque não acabou nem nunca irá acabar. É como um presente inacabado.

Conformei-me finalmente com o meu destino.

As lágrimas não trazem ninguém de volta nem alteram o que já foi dito ou feito. A resignação não é sinónima de fraqueza, muito pelo contrário, é sinal de maturidade, demonstra que não somos assim tão masoquistas ao ponto de nos rebaixarmos tanto.

Vou deixar-te voar. Quando sentires saudades, volta. Pode ser que ainda esteja aqui sentada à tua espera. Se não me vires, possivelmente posso ter ido comprar tabaco à papelaria mais próxima. Espero que ainda suportes o aroma de menta. Não me procures, já sabes que eu acabo sempre por te encontrar.

Olá meu amor.

PORCatarina Cheta
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