Aceitas-me como sou?

Nunca usei máscaras, mostro-me como sou.

Caminho sem pressas, por vezes caio e penso que não me conseguirei reerguer, outras vezes levanto-me do chão e acredito que não voltarei a cair.

Dou o que tenho sem esperar nada em troca. Digo o que penso e tenho aversão a pessoas hipócritas.

Já passei noites a chorar até adormecer, já me deitei tão feliz que não consegui fechar os olhos.

Amei quem me magoou e magoei quem me amou. Às vezes fico horas em frente ao espelho a tentar descobrir-me e fico tão certa de mim que quero desaparecer.

Já sorri a chorar de tristeza e chorei de tanto rir, com frequência tenho crises de riso em momentos inadequados. Noutras ocasiões sorrio muito, mas não significa que esteja bem, apenas estou a tentar manter-me forte.

Já acreditei em pessoas que traíram a minha confiança, hoje dificilmente acredito seja em quem for.

Há momentos em que sinto muito a falta de alguém, mas talvez por medo de ser mal interpretada calo o sentimento.

Conto piadas sem graça para ver um amigo sorrir. Chamei pessoas de amigas e descobri que eram uma fraude, outras nem preciso chamar de nada, sempre serão especiais para mim.

Em pequena temia o escuro, hoje no escuro ainda me arrepio. À noite em casa se me encontro sozinha, acendo todas as luzes. Quando não sei o que fazer, faço rolinhos de cabelo com os dedos.

Quando ele está perto de mim, igualmente, e desvio o olhar com frequência, sei lá, é como se de certa forma, os meus olhos pudessem denunciar o que guardo cá dentro, que a todo o custo quero esconder.

Penso muito quando fecho os olhos e sempre calco um pé com o outro quando estou pouco confiante à frente de alguém.

Quando ando pela rua sozinha canto baixinho, e até gosto de andar pela chuva, mas somente quando esta é fraquinha.

Adormeço virada de lado e com as mãos entre as pernas para não arrefecer, acordo toda torta e despenteada.

Pergunto muitas vezes “porque” quando estou pouco esclarecida. Quando estou muito tempo calada, estou triste com certeza. Gosto de me sentar no chão de pernas cruzadas. Ouço música no volume máximo e canto sempre que estou feliz.

Não quero que me dêem fórmulas certas, porque não espero acertar sempre. Não serei o que não sou, não serei igual aos demais, porque sinceramente tenho orgulho em ser diferente.

Cresci assim, amo a liberdade. Gosto quando me abraçam, mas não quando me prendem e tentam dominar, porque eu é que escolho o meu caminho.

Nunca confessarei todos os meus segredos, nem sequer os meus desejos mais profundos e os meus sonhos, porque acho que deve ser assim, afinal duas pessoas só podem guardar um segredo se uma delas estiver morta e quantos aos sonhos, há sempre alguém disposto a tudo para os destruir, são meus, e por tal, devo preservá-los.

Nunca deixarei de tentar, mas sei que nem sempre se pode vencer. Faço as minhas próprias regras e sei que não posso agradar a toda a gente.

Nunca vou recuar porque a vida já me magoou. As minhas cicatrizes lembram-me de quão longe vim, não desisti e aqui estou.

Não sei amar pela metade, nem viver de mentiras. Não sei voar com os pés no chão.

Nem vou chorar se me quiseres deixar, pois sou nova de mais para morrer.
Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei eu mesma para sempre.

E então aceitas-me como sou? Com todos os defeitos e todas as qualidades? Com os meus erros e as minhas promessas mal cumpridas? Com a minha força e o meu medo?

PORLetícia Brito
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