Acabou!!!

Queria que me dissesses a verdade sempre que olhas para os meus olhos.

Tenho tanto para te dizer. Abandonaste-me e eu aqui fiquei, sozinha, a tentar encontrar alguma parte de ti em mim, alguma camisola tua que pudesse eventualmente ter o teu cheiro, algo que me fizesse recordar de ti. Mas na verdade, que é sempre disso que estamos a falar, na verdade eu não preciso. Eu recordo-me de tudo. De tudo o que aconteceu. Do nosso primeiro beijo, da nossa primeira saída à noite, da nossa primeira (e única) ida ao cinema, da primeira vez que fizemos amor, da primeira vez que chorei por ti, da primeira vez que fomos passear a Lisboa (foi tão bom, amor…), da primeira vez que jantámos juntos, daquele dia em que conheci a tua mãe.

Eu não me quero ficar pelas memórias nem pelas recordações. Eu preciso de ti, fisicamente. Eu preciso dos teus beijos, dos teus abraços, dos teus mimos, das tuas conversas, das tuas brincadeiras, das tuas chamadas às 4h da manhã. Eu não me fico pelas memórias, e tu sabes.

Não quero que sejas mais uma memória que acabei por colar à parede do meu quarto com fita cola. Não quero olhar para as nossas fotografias e pensar que acabou, que nunca mais vou estar contigo, que não vou olhar-te nos olhos. Preciso de sentir o teu respirar, estou a sufocar por não te poder tocar.

Tenho em mim tudo o que havia em ti. Tenho em mim o teu cheiro, as nossas noites de calor, os nossos beijos quentes, os nossos abraços carentes. Diz-me que não vou ficar sem isso. Diz-me que não vou ficar sem ti. Tu prometeste e juraste por nós. Esta era a nossa jura mais sagrada. Mas eu já não acredito dela. Eu já não acredito naquilo que me possas dizer.

Magoaste-me com todo esse propósito. E agora? Estás bem? Eu não te percebo. Sempre foi esse o nosso problema. Eu nunca te percebi e tu nunca me percebeste. Mas sempre soubeste que as minhas intenções contigo foram sempre as melhores. Sempre soubeste que te amei, e ainda amo, mais que tudo (hoje, mais que ontem), Sempre soubeste que íamos ter a nossa casa, os nossos filhos, as nossas coisas, as nossas férias no Gerês. Tu prometeste, amor…

E não cumpriste.

Não se trata de palavras bonitas nem nunca se tratou. Temos o amor mais bonito que alguma vez o mundo presenciou. Temos tudo para dar certo. Mas agora sim, eu percebo aquilo que estão sempre a dizer “Não é assim tão fácil.” Ninguém disse que ia ser fácil. Mas ninguém nos disse que ia ser assim.

Vai enquanto ainda tens tempo. Torna-te no melhor homem que eu já conheci e sê feliz. Eu nunca vou conseguir. Nunca vou ter capacidade de amar como amo agora. Nunca vou ter força para continuar. Tiraste tudo o que havia em mim. Agora só me restam dias cinzentos e noites passadas em preto. Restam-me as memórias coladas na parede e o teu cheiro, que algum dia vai desaparecer.


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