A (TUA) DOR QUE SENTI…

Somos todos seres humanos…
Uns mais que outros, é verdade, mas a dor todos sentimos seja ela de que maneira for.
Senti a dor de outra pessoa em mim pela primeira vez. Chorei com o meu próprio sofrimento.

E o que é que eu faço agora? questionei-me ao ver parte de mim desabar em lágrimas mesmo à minha frente.

E depois de ter o coração a mil e as lágrimas a correrem-me pela face, lembrei-me que aquela pessoa que estava ali é a pessoa mais importante que tenho, que seria capaz de tudo para a proteger. Corro para lhe limpar as lágrimas com a leve sensação de que estou a ajudar…

O que estás a fazer? Limpar as lágrimas? Como se limpa a dor? E aí abraço aquela pessoa com a maior força do mundo e dou-lhe leves beijos para marcar a minha presença e força.
Longe de mim pensar que aquelas lágrimas e tristeza fossem apenas o começo…

Existem momentos que nos destroem por dentro, que nos ferem o coração até parecer ficar sem conserto. Momentos esses que nem as pessoas que mais gostamos podem apagar.

O que estou eu aqui a fazer? O tempo vai melhorar…eu não!
Tentei, juro que tentei com tudo o que tinha, afinal de contas ele é tudo o que sempre desejei e achei impossível encontrar…

Fiz o que pude para o ajudar a ultrapassar aquela dor. Mas sabia que não estava ao meu alcance.

Voltei a tentar, ultrapassei os meus próprios medos só para poder estar ali a abraçá-lo. Sozinha nunca seria capaz de viver aquilo…fiz isto por ele, por nós, pelo nosso amor.
Mas voltei a sentir-me inútil…De que adianta meter-me em algo que não me é permitido? O que faço eu tentando acalmar um vulcão de dor?

Dei um passo atrás…senti que estava na altura de me afastar de vez e deixá-lo viver aquilo com quem realmente devia.

Fiquei a observar de longe. Cada lágrima. Cada olhar carregado de dor. Cada movimento de desespero, fizeram de mim a pessoa mais infeliz do mundo.
Eu ali a observar a pessoa que amo a sofrer afastada de mim.

Não me consegui controlar…respirei fundo e tentei desviar o olhar, mas nem isso fez com que o meu coração se sentisse menos esmigalhado.

E então os meus olhos começaram a ficar turvos…a visão deixou de ser nítida e as lágrimas sem se conterem escorreram-me pela face.
Chorei, chorei e chorei…sinto a dor dele no meu peito como se fosse minha.

Minutos depois tinha-o a olhar na minha direção. Aquele olhar triste estava a encarar-me dando-me sinal que podia avançar. Abracei-me a ele sem hesitar, as lágrimas tentaram controlar-se mas eu sabia que a dor permanecia. Foi o abraço mais sentido que dei na vida. Só queria permanecer naquele calor para sempre.

E agora? Passou? Não, nada passa com um abraço…mas sei que ao mostrar que estou aqui, venha o que vier, ajuda muito.
E estarei mesmo meu amor…

Agora mais do que nunca posso garantir que sei o que é amar…só alguém que ama de verdade, morre por dentro com o sofrimento da pessoa que ocupa o seu coração. E o meu não poderia estar mais bem ocupado.
Amo-te. Beijinhos.

PORSara Cibrão
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