A revolta gerou-se pelo Zayn Malik…

Zayn Malik decidiu que seria o melhor para si enquanto pessoa, jovem e homem deixar a banda que o viu crescer enquanto artista. Este acontecimento fez correr tinta em todas as manchetes de jornais e revistas, choros em todas as casas de Portugal, comentários maldosos nas redes sociais e até tentativas de suicídios por parte das fãs.

A revolta gerou-se.

Enquanto meio mundo chora a perda de um dos membros da banda, outro meio mundo comenta a demência que habita o (sub)consciente das ditas “directioners” (loucas, fanáticas, maluquinhas – todos os significados que por norma que atribuem, a elas e a qualquer fã de um determinado artista que fica triste, desiludido, magoado quando algo que envolve o mesmo artista os atinge).

Concordo que, de facto é deveras exagerada toda a proporção dos acontecimentos. É completamente fora do decorrer natural das coisas que miúdas pelo mundo se “cortem” pelo simples facto de um cantorzinho ter deixado uma banda de treta-  como naturalmente chamam aos One Direction.

Mas afinal, porque é que este simples acontecimento gerou tanta polémica? Porque será que tantas miudinhas foram afectadas?

Não sei a resposta cara sociedade, mas aposto que tu a sabes certo? Tu que comentas ( pior que isso), criticas…tu sabes certo?

Porque tu estás lá nos momentos em que essas miudinhas choravam pela coisa mais tola de sempre. Porque tu, sociedade, família, amigos, vocês estavam lá quando essas miudinhas sofriam o primeiro desgosto de amor, quando davam o primeiro beijo, vocês estavam lá quando elas sentiram as primeiras borboletas na barriga. Vocês estavam lá certo?

Pais estavam lá para abraçar as filhas e dizer que estava tudo bem , que era normal. Mães estavam lá para explicar o que é o amor. Amigos estavam lá para dizer que também sentiam.

Todos vocês estavam lá quando lhes diziam que eram feias, que não valiam nada. Todos vocês estavam lá quando se aproveitavam delas e da sua inocência.

A sociedade estava toda lá quando  essa mesmas crianças (agora adolescentes) tinham medo do escuro, ouviam um relato de um acidente terrível na rádio, viam pessoas a ser esquartejadas em televisão nacional. A sociedade estava lá para explicar o que se passava certo? Para apoiar? Estavam todos lá, certo?

Ninguém disse “vai brincar para o teu quarto e deixa-te de “lamechiches””, ou “vai brincar no tablet” ou “ e se fosses ver televisão em vez de que estares aqui a moer-me a cabeça”, pois não?

O que a sociedade, eles, vocês, tu, esquecem é que nessas pequenas coisinhas da vida, não estavam lá. Não explicaram, não compreenderam, não apoiaram.

Portanto não me venham agora com falsos moralismos!

A única coisa que essas adolescentes tinham eram as letras das músicas dessa “banda de treta”. Esses “4 gays e um bi” (como tão normalmente lhe chamam) eram os únicos que diziam às vossas filhas, irmãs, primas, amigas, que era normal ter borbulhas, que estar apaixonado não faz de nós dependentes mas felizes. Foram eles que lhes ensinaram que todas as imperfeições são perfeitas, que devemos lutar pelos nossos sonhos. Foram eles que disseram que as memórias constroem histórias, que por vezes temos de ser à prova de fogo e existem momentos em que lutar por aquilo em que acreditamos é como tentar agarrar uma nuvem.

As músicas deles estavam lá quando vocês não estavam!

Não estou a justificar que se cometam suicídios ou que se cortem os pulsos, porque nada (em nenhuma circunstância) o justifica. Apenas peço que por  uma vez na vossa vida ponham a mão na consciência e percebam que para essas meninas, a banda é como uma família, porque foram os únicos que sempre a entenderam e apoiaram. Para elas, ver o Zayn a deixar a banda é como ver alguém da família a ir embora, ver um confidente a virar-lhes as costas.

Para uma sociedade que se diz tão evoluída, peço desculpa por isto desta forma, mas são na verdade as pessoas mais retrógradas, insensíveis e superficiais do mundo.

Não critiquem aquilo que não entendem, procurem perceber e ajudar.

PORJoana Ribeiro
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