A Promessa…

Ela agarra-se a tudo. A tudo teu. Até ao todo que o vento não consegue propagar.
Até mesmo aos pensamentos que a tua mente nunca fabricou.
Ela sobe-te para as cavalitas e afoga-os.
Ela afoga-te.

Mas tu não procuras deixar de a carregar.
Não te importas de perder a respiração se depois te a devolverem.
Porque tu queres ser salvo.
Queres que te relembrem da emoção de respirar pela primeira vez.

E isso requer que fiques sem fôlego e aparentemente sem salvação.
Não te importa sentir a morte.
Ficar com a vida presa no trânsito.
Porque não és tu o condutor.

E quando estás roxo e a esfriar, eu passo por ti.
Nem reparo na tua pessoa, de inicio.
Mas há uma espécie de íman que nos conduz para os olhares permanentes que nos são lançados.
E aí eu vejo o deslumbramento que te consome o olhar e te aquece o sangue.

E só o retribuo para ver até onde vais.
Quantos milésimos de segundo levas a encontrar-me algum defeito.
Mas o desespero mantém-te preso.
E era esse o peso que eu não queria sustentar.

E a respiração que eu não te queria dar.
Mas que, sem querer, dei.
E continuei a dar.
Até perceber que o ar a ti não te entra.

Não te percorre.
Não te arrefece.
Só te atravessa na promessa de não te tocar.
E é essa a promessa que eu espero não vir a cumprir.