A Porta Já Está Aberta!

Hoje acordei com o telemóvel a tocar, fiquei irritada, supôs que era o despertador e com os olhos entreabertos vi as horas, eram seis da manha. Não era o despertador, não era a minha mãe a ligar-me para saber se estava tudo bem, não era a minha irmã a lembrar-me que tinha aula de condução, nem a minha melhor amiga a chorar desesperada porque o ex a maltratou. Era só uma mensagem, às seis da manha. O número não estava gravado, mas reconheci-o.

Queria voltar a dormir, e desliguei o telemóvel. Rebolei na cama umas trinta vezes e o sono não chegava, desesperei, já deveriam ser umas oito da manha e eu ali sem dormir, olhei o relógio de parede, seis horas e quinze minutos.

Como o tempo nos engana quando o nosso coração se parte.

Liguei novamente o telemóvel e pedi a Deus forças para ler o que viria a seguir, a mensagem era curta, a escrita atrapalhada, provavelmente o corretor automático estava desligado, é incrível como ele se desleixou depois que me deixou.

“Não consigo dormir, volta para mim. Amo-te”. Comecei a chorar não sei se pela alegria de ver chegar a mensagem que esperei durante este último ano ou se pela dor que me causava receber uma mensagem da pessoa que durante este último ano fez o meu coração em um trilião de pedaços.

Precisei responder… Quem és? Questionei, sabendo perfeitamente que era ele, o “suposto amor da minha vida”, o tal, o único homem que amei, o único que foi embora e me deixou uma ferida no peito que até hoje não cicatrizou.

Sabia que ele reagiria como sempre, grosseiramente, após a minha pergunta sarcástica. “Não mudaste nada, continuas a mesma imperialista, nem sei porque mandei esta mensagem, mereces toda a dor que te causei”. Mas não, pela primeira vez nesta história que demos por terminada à um ano, quem mudou foi ele, não eu.

Eu permaneci arrogante, fria como gelo, sarcástica, a mesma mulher mimada que ele conheceu à cinco anos atrás, que não aceita ouvir um não, que quer tudo do seu jeito, que se sente sempre na razão, que bate portas e responde com dez pedras na mão.
Já ele. Ele mudou e por ele senti vontade de mudar.

“Sei que te magoei, sei que te deixei quando mais precisavas de mim, sei que foi um idiota por deixar que a mulher mais perfeita do mundo me escapasse das mãos, sei que não mereço o teu perdão e sei que não me vais perdoar, mas lembras-te do que me disseste no dia em que de malas na mão, bati a porta e fui embora? Disseste que nunca era tarde de mais para amar outra vez.Hoje entendo aquelas palavras, e estou aqui, a colocar o meu orgulho de lado, a pedir-te uma oportunidade de amar novamente.

Quero acordar-te às seis da manha só para te ouvir rabujar que tens sono. Quero levar-te de novo à Disney para ver o teu sorriso bobo, maravilhada com o mundo que desde menina idealizaste para ti. Quero pegar-te no colo e beijar-te nesse quarto que um dia foi lar do nosso amor. Quero comprar-te flores vermelhas para adornares a sala que um dia foi nossa. Quero que me aceites de volta, mesmo sabendo que sou errado, que vou magoar-te na maioria das vezes e vou desligar-te as chamadas na cara quando estiveres a discutir comigo. Quero ver as crianças correrem no jardim como planeámos à um ano atrás.

Este foi o pior ano da minha vida. Estar sem ti? Ao contrário do que sei que estás a pensar, foi um pesadelo. Não posso mais viver sem a mulher mimada que quer comprar aquele vestido que me custa um ordenado. Não posso mais viver sem aquela mulher irritante que sente ciúmes até de me ver pegar o gato no colo. Não posso mais viver sem a mulher que ironiza todos os momentos. Aceitas-me de novo?”

Não me segurei depois disto.

“A porta já está aberta, não te demores”.

PORLeticia Brito
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