A Musa

Estranhamente ouvia um som melódico, era ela a sussurrar.
-Bom dia. Acorda preguiçoso.

Ela apenas coberta por uma toalha de banho turca, que fazia realçar as suas formas, balançava em cima de mim, enquanto pequenas gotas do seu cabelo ainda molhado deslizavam pelo meu pescoço provocando ligeiros arrepios de excitação que não eram comuns numa manhã de quem dorme sozinho.

A dor de cabeça apoderou-se de mim e com os olhos entreabertos repliquei o bom dia com um sabor na boca que lembrava papel, mas este encharcado em álcool e uma bebida energética da moda.

Não sabia como reagir, estava petrificado e meditativo. Como poderia a minha Musa estar do meu lado na minha cama… Que noite foi aquela… O que disse…

– Vamos continuar na cama ou vamos almoçar, visto que já passa meia hora da uma da tarde?
-Bom dia.

Foi neste momento que ela percebeu a minha confusão, como eu estava atrapalhado. Quem no seu perfeito juízo vai dizer duas vezes de seguida “Bom Dia”?

Ela era uma Musa autêntica, física e intelectualmente. Eu estava descontrolado depois de uns shots de uma mistura que fazia lembrar uma bomba, pelo nome e pelo efeito. Avancei como se fosse dono do mundo como se fosse a pessoa mais importante e adorada por todos, algo que a sobriedade nunca me permitiu, visto a minha introversão me enrubescer a face sempre que tentava algo novo.

Eu nem sequer sei dançar, mas isso não me impediu de a puxar pelo braço e com delicadeza murmurar no ouvido dela para dançar comigo.

Enquanto dançava a minha excitação aumentava ao ponto de se notar nas calças, este era o momento da verdade… Ela não se desfez e com o seu humor habitual encostou os lábios na minha orelha e proferiu para meu deleite.

-É melhor escondermos isso, hoje não me apetece compartilhar-te com mais ninguém.
E com entusiasmo puxou-me contra ela e ao som da música balançava as ancas de modo a provocar-me.

Pela primeira vez em bastante tempo senti um beijo sincero, um carinho honesto que não seria reprovável no dia seguinte.

O almoço parecia uma excelente ideia após uma noite memorável, mas sem dúvida que primeiro precisava de um duche para me recompor e lavar os dentes, não ia querer afugentar a minha Musa.

Enquanto os jatos de água me batiam no dorso e eu tentava assimilar tudo o que se tinha passado na noite anterior senti uma mão no ombro, voltei-me, e com uma excitação que se notava no extremo dos seios ela entrou de novo na banheira e abraçou-me.

Posso dizer que ficámos durante dez minutos abraçados ao ponto da pele começar a engelhar. Deslizei as mãos pelo corpo dela hipersensibilizado pela água quente, enquanto lhe acariciava as costas encostei os meus lábios no pescoço, subi a mão esquerda pregando os meus dedos nos cabelos dela puxando levemente os mesmo para trás. Os beijos eram agora mais entusiásticos, a respiração tornava-se ofegante demonstrando desejo carnal.

Num ápice o duche não era mais duche e os corpos moviam-se e cortejavam-se um ao outro permitindo que se entrelaçassem e eu a possuísse encostando-a contra a parede enquanto a água quente continuava a cair sobre os nossos corpos.

O almoço estava envergonhado assim como nós, afinal de contas já nos conhecíamos fazia algum tempo, o desejo era mútuo, mas a timidez de falar também.

PORRafael Barata
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