A minha mulher não trabalha, é dona de casa!

– “E a sua mulher, trabalha?”
– “A minha mulher não trabalha, é dona de casa”

Pois claro, como se isso não fosse um trabalho. E até digo mais, é o trabalho mais difícil do mundo. A mulher trabalha, trabalha e trabalha. Não tem férias, não recebe salário e raramente é elogiada ou reconhecida. Para além de tudo, tem vários patrões que reclamam quase sempre, ora o marido, ora os filhos, ora os netos ora quem quer que viva com ela.

Para além da limpeza da casa, como a louça suja deixada pela manhã pelos filhos ou pelo marido do pequeno-almoço enquanto a mulher ainda descansa. Depois da louça tratada, e da mesa arrumada, ainda se limpa o chão junto à mesa onde as migalhas do pão e por vezes os pingos do café caiem.

Quando acabam de limpar a cozinha, pelo menos dar um jeitinho, partem para os quartos. Onde têm a roupa toda espalhada, na cama, no chão, enfim, em todo o lado. Dobram, arrumam no armário e tiram as cuecas e meias do chão e metem para lavar e no meio desta confusão toda, chega a hora de ir fazer o almoço então volta para a cozinha. Lava, descasca, frita, assa, arruma a mesa, tira a mesa, lava, enxuga e guarda.

Mal acaba o almoço, já mal têm tempo para nada.
O tempo passa a correr. É um facto.

Isto tudo se repete, dia após dias e parece que ninguém ao seu redor repara.
“Amor a minha gravata?”, “Mãe onde estão as minhas calças?”, “Mãe?! Onde está a minha camisola preferida?”

Depois do jantar, já cansada de passar todo aquele molho de roupa. De meter duas ou três máquina de roupa a lavar e de as estender. De arrumar a louça pelo menos quatro vezes, e de a arrumar do novo nos armários. De varrer a casa toda, uma data de vezes. De tudo e mais alguma coisa… Tem que ir deitar os filhos.

Ser mulher é bastante complicado, e acreditem, é uma mulher que o escreve. Temos a menstruação, a gravidez, parto, cesariana, muda de fraldas, choros nocturnos, perdas de sono, amamento, enfermeira, psicóloga, menopausa, quem sabe, algum caroço na mama. Todas as consequências, e ainda, ser dona de casa.

Não há muito incentivo, nem motivação.
Não há reuniões para saber o que será melhor a fazer, ou como se irá dividir o trabalho.
Para além de tudo, tem que haver motivação suficiente, para o fazer todos os dias. Estando doentes ou não.
E nunca se pode afastar deste trabalho, seja pelo que for, pois os patrões não toleram qualquer afastamento, mesmo nós, não recebendo qualquer tipo de salários.

Quando lhe perguntarem o que faz, encha o peito de coragem e diga “sou uma mulher de casa“. Pois isso, não é para qualquer uma. É mais difícil que ser secretária, vendedora, executiva ou qualquer outra profissão.

E mesmo assim, ainda existem aquelas mulheres mal casadas, com aqueles homens machistas, bêbados, com obsessões, com vícios em que gastam todo o dinheiro, enfim.

Na minha opinião, deveria existir um dia para todas nós.
Nesse dia, devíamos ganhar um ramo de flores ou quem sabe, chocolate. Devíamos passear, almoçar ou jantar fora. Ir ver um filme ao cinema. E não devíamos de trabalhar nesse dia, pelo menos… Nesse dia.

Dedico este texto a todas as mulheres que são, foram ou serão donas de casa, das quais acumulam as funções de mãe, cozinheira, ama, psicóloga, enfermeira, etc.

Obrigada mãe, por me ensinares a ser a tão boa dona de casa como tu sempre foste. Obrigada por me ensinares todos os valores, para o conseguir.