A minha maior dor é a tua ausência…

Teoricamente sei tudo, mas quando passo à prática a única coisa que sei é que dói.

Até hoje, e acho que para sempre, a minha maior dor é a tua ausência. Como foste capaz de deixar um coração tão inocente neste estado? Como conseguiste destruir toda a segurança que tinha,virar as costas e não olhar mais para trás? Ainda sinto que caminhas do meu lado por mais que quando tente amarrar a tua mão só amarre vento.

Pegaste nas tuas malas empacotaste-me bem e foste. Na tua mala foi toda a capacidade que tinha de confiar, toda a segurança que tinha. Na tua mala fui eu. Na tua mala levaste uma vida, e no aeroporto deixaste as cinzas.

Como será que aquele avião não caiu com o peso da tua consciência? Ou não tens uma?

Não tiveste noção do que estavas a levar e do que estavas a deixar?

Às vezes, de um canto recôndito do meu cérebro, o teu cheiro vem mas vem de tão leve que nem o sinto e quando dou por mim tudo cheira à tua ausência. Os meus passos cheiram a solidão, a minha voz soa a podridão e tu acompanhas-me; não para me fazer bem, mas para me dar ainda mais certeza de que tudo isto é real, de que o mundo é mesmo cinzento, de que todas as cores com que pintei eram negras, de que o arco-íris na realidade é em tons de cinza. Vens para acordar todas as minhas inseguranças, para revoltar o meu espírito e a minha respiração, vens e nem sequer sabes que o estás a fazer.

Vens porque em cada canto de mim existe um pouco de ti e porque é impossível não virar uma esquina de vez em quando.

Não adianta vires e pedires desculpa, dizeres que não me querias magoar. Os teus perdões já não colam, nem os teus nem os de ninguém, graças a ti.

Não adianta tentar apagar o que foi escrito com tinta permanente, não dá. Optaste por escrever parte da minha história assim, agora, de nada te adianta tentar recuperar quem eu era, porque eu já não sou, de nada te adianta fazer de conta que estas feridas não me acompanham só porque não queres carregar a responsabilidade de as ter feito.

Tens culpa. A tua ficha está manchada e a minha também, a diferença é que agora a minha já não é do nosso sangue.

Espero que consigas perceber que preciso fechar esta porta. Já não quero que tenhas este efeito em mim, já não és ninguém para o fazer.

Nem juras, nem promessas, nem choros, nem risos, nem vidas.

Se nunca mais ouvires falar de mim só quero que saibas que tiveste escolha e que consigas lidar com a minha ausência, eu nunca consegui lidar com a tua.

Com muito amor,

Sempre.

A tua filha.

PORLeticia Bento
Partilhar é cuidar!