A minha alma é cobiçada. E a tua?

Estou a tentar arduamente não cair no meu percurso até casa. Eu já vi o Mundo e acendi-o, fiz de tudo para não o descobrir e ver o que realmente demonstrava ser.

Sou desordenada, desorganizada, uma confusão. A minha cabeça é uma confusão e o meu peito é vazio. Somos só tu e eu, eles não conseguiram ver o que eu vejo em ti. Mostra-me o teu coração e todas as tuas cicatrizes. Para todas as feridas sempre haverá uma cicatriz e para todas as cicatrizes haverá lembranças. As cicatrizes lembram-nos de onde estivemos e não o que somos ou fomos. Deixa que te beijem as cicatrizes e que as acariciem. Deixa que te dispam a alma mas cuidado com quem o faz.

Eu vivo pela e para a dor. Gosto de romantizar a minha dor. O Mundo também o faz mas chama-lhe ‘filosofia’, mas que filosofia? A que filósofo se refere? Uma felicidade oculta que hipnotiza todos os seguidores cegos. Todos os que não têm opinião própria e uma mente mais aberta. Sabes do que falo, certo? Sei que nós somos diferentes de todos os outros, eles não viram o Mundo como nós o observámos. Como nós o chorámos e gritámos.

Sempre me disseram para me cercar de pessoas boas se eu quisesse ter coisas boas, mas aí está, hoje em dia como posso saber o que é o correto? A culpa é do Mundo. Ele ri como Deus e diz que está a morrer enquanto nós mata primeiro. Não sou a favor de definições mas tu defines-me. A felicidade não é complicada para nós, porque não lhe mostramos o avesso? Não me vais conseguir revirar. Não nos vais conseguir revirar como se estivesses à procura de uma explicação muito lógica porque não é obrigatório tudo ter explicações. Muito menos nós. Muito menos eu. Eu que sou o fundamento.

A minha alma é cobiçada. E a tua?

PORBeatriz Velez
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