A mão que te agarra!!!

Ouve-me, lê o que escrevo, processa as palavras e interioriza o que te vou dizer.

Já sofreste por amor? Provavelmente sim. Dói não dói? Infelizmente, eu sei.

Eu costumo dizer que o que separa o amor da dor é uma linha muito ténue. Estamos como que numa falésia, de um lado algo nos mantém firmes e do outro lado encontramos o abismo, onde somos totalmente desabrigados.

Ao amarmos estamos como que num precipício à beira de cairmos, tão vulneráveis de um empurrão, completamente indefesos e desarmados. Estamos presos por uma mão: essa mão não nos prende à felicidade, apenas nos impede de cairmos no abismo.

Essa mão faz-nos recuar no tempo e traz todas as memórias, lembra-nos do som das gargalhadas (sabes, daquelas que ecoam nos ouvidos e parece que não querem parar de ecoar?), faz-nos sorrir ao pensar em todas as trapalhices que já aconteceram, reaviva os nossos lábios que ali já muitos beijos foram roubados, relembra o corpo de como em tempos foi tocado arrepiando-o, une-nos a palavras bonitas e palavras menos bonitas ditas espontaneamente, recorda os nossos olhos quantas lágrimas – muitas vezes – estúpidas por eles já foram derramadas.

Relembrar -nos também das vezes que estivemos com um pé dentro do abismo e como depois fomos puxados. Mas principalmente, essa mão deixa-nos seguros de que se pode fazer novas memórias, que pode ser a nossa vez de roubarmos um beijo, que iremos sentir “aquele” toque outra vez, que mais palavras voarão pelo ar até ao nosso ouvido, que até mais lágrimas escorrerão pela nossa face e que muito provavelmente se estivermos, desta vez, com um braço dentro do abismo seremos puxados de novo.

Quando essa mão nos desampara, nos solta e nos deixa ir nada se perde mas mais nada dela se ganhará. Não é o fim do mundo, não é ali que com certeza acaba o amor e não será ali também que permaneceremos para sempre mas vou dar-te um conselho, mantém-te longe do abismo.

Não ultrapasses essa linha ínfima. Prende-te bem. Agarra-te com toda a força para que não te deixem cair. Luta até ao fim e se vires que te vão largar, larga-te primeiro antes que caias sem quereres.

Caso caias nesse abismo que te falo, o teu coração torna-se num sem-abrigo, fica todo esfarrapado, faminto, carente, desfeito, acabado, com feridas e sujo de dor. O cérebro e a razão podem comparar-se às moedas dadas por caridade e aos cartões que servem de abrigo a quem dorme desamparado. Relembram-te de como obviamente irás encontrar alguém que te ame como mereces e como em média uma pessoa tem três relacionamentos sérios por vida e como só tiveste um, podes ficar descansado. Mas sabes, tal conforme com as moedas não se consegue saciar toda a fome e com os cartões não se consegue aniquilar todo o frio, essas ideias não valem de nada porque quem tu queres que te ame, já não te ama mais.

O cérebro e o coração, no que toca a emoções e sentimentos, são como a água e o azeite, nunca se misturam e por mais que os agites um contra o outro não os vais conseguir por em acordo. O tempo sim vai ajudar-te, vai lançar-te uma corda para subires e voltares novamente para cima, garanto-te que ele vai também sarar todas as tuas feridas mas lamento uma coisa, se foste curado pelo tempo tal como eu, o teu coração vai ficar com uma cicatriz que te irá guiar e acompanhar daqui em diante – Mas afinal o que é um guerreiro sem as suas cicatrizes de guerra?

Umas últimas palavras que quero dar-te, não aceites que qualquer mão te segure. Escolhe uma mão que te prenda com tudo o que tem e com tudo o que não tem, que te amarre a ela, que te roube a alma e te dê a dela, que acorrente os vossos corações. Que seja uma mão que utilize a tua também para se manter firme em terra e que, principalmente, se te desprenderes acidentalmente te lance uma corda para te agarrares.

PORAna Sofia Ramos
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