A frieza que há em mim…

Ando insensível, adulterada, apática, fria, gélida…

Como que se não houvesse sangue nas minhas veias. Como que se o meu coração tivesse parado de uma só vez. Sinto a areia a escarpar-se-me por entre os dedos. Perdi a agilidade. Neste momento, a única coisa para a qual não perdi o jeito foi a de afastar os que me rodeiam.

Sinto-me só porque não sou capaz de manter as pessoas por perto. Tenho o coração na boca. Digo o que não quero por ser mais fácil de expressar. Não tenho culpa. Ensinaram-me  a ser assim. A vida foi a minha real professora e os espancamentos foram os meus verdadeiros ensinamentos.

Já há muito tempo que me tornei num saco de boxe. Pronta para atacar. Estar na defensiva? Mas quê, isso come-se? Tenho tido tantas oportunidades para mudar, mas não sou capaz. Fizeram-me assim, fria. Sou pior do que um inverno rigoroso. Eu faço cair neve num dia quente de verão.

Sim, estou apaixonada. Sou uma verdadeira amante de aventuras. Só preciso de alguém que segure a minha mão naqueles últimos dois segundos antes de saltar do avião. Porque eu não fui feita para dar justificações daquilo que sinto. Sinto e pronto.

Quando paro para pensar, pergunto-me se não haverá um fundamento para o que acontece comigo. Estarei eu a tentar esconder o meu lado sentimental? Com medo de me magoar ainda mais? Sou livre por natureza. Não posso ficar presa a alguém.

Namorar não é, de todo, algo que queira. Penso que o amor é uma fraqueza. Tenho medo de me apaixonar. Tenho medo de abrir o meu coração e de deixar voar os meus sentimentos. Costuma-se dizer que os olhos são o espelho da alma. Por essa razão, quando olhas para mim, desvio o olhar. Tenho medo que consigas ler nos meus olhos aquilo que a minha boca não é capaz de dizer.

Sou insaciável. Busco respostas para perguntas inexistentes. Quando deito a cabeça na almofada o meu mundo desmorona. Todas as emoções que contive ao longo do dia libertam-se pelo meu corpo em forma de lágrimas. Coloco os phones nos meus ouvidos e deprimo com a ajuda da playlist mais triste que tenho. Tenho o dom de fazer piorar as coisas.

A minha alma está coberta por algo que desconheço, mas que é muito difícil de carregar. Não sei pelo quê, nem sei tão pouco explicar. Mas dói. Eu não consigo responder, só consigo fazer perguntas. Porque é sempre mais fácil levantar dúvidas do que encontrar argumentos para justificar as certezas.

Sou um ser cruel comigo própria. Hoje quero isto, amanhã quero aquilo. Sempre foi assim. Só que agora está a ser verdadeiramente difícil esquecer-te. Durante toda a minha vida nunca encontrei algo que me cativasse efetivamente.

Aliás, nunca encontrei algo em que eu fosse realmente boa. Até hoje. Descobri que tenho um dom. Tenho o dom de perder oportunidades.

Tenho andado mais quente do que o normal. Não sei, estarei doente?

PORMara Pires
Partilhar é cuidar!

RELACIONADOS




PELA WEB

Loading...