A distância magoa…

E de repente, ele vai embora. A crise e as oportunidades deste nosso país a isso o obrigam. E ele faz a mala e vai, contra a sua vontade. Contra a nossa vontade. E nos primeiros tempos acreditamos que conseguimos gerir a situação: vamos falando todos os dias, através da internet. Ele lá tem um emprego de que gosta, foi para isso que estudou e é essa a ambição dele. Mas o tempo passa, e ele está lá e eu estou aqui, separados por milhares de quilómetros.

E todos nos dizem, ‘vocês amam-se, vivem um para o outro, claro que aguentam!’  E depois perguntam-me: vocês acabaram ‘só’ por causa da distância? Só, dizem eles…  Mas, caramba… Experimentem lá estar seis, ou sete, ou dez meses, ou um ano, entre cada visita, sem estar com a pessoa que amam…

É tudo muito bonito, com as redes sociais, e as tecnologias, mas chego ao fim do dia e não o tenho em casa… No fim de um dia difícil, no trabalho, não tenho o abraço dele… Não tenho aquele beijo na testa, que ele me dava de manhã…   Baixámos os braços e parámos de lutar. Não é que tenhamos desistido. Mas a distância magoa demais…