A despedida


O dia da despedida vai chegar… E maldito seja esse dia!

Nunca fui uma pessoa de mudanças, nunca gostei dessa ideia. Confesso que me assusta pensar nisso, mudar, deixar tudo para começar do zero, uma nova vida.

Às vezes é necessário mudar de direção, seguir um novo rumo, mas esta não é a minha escolha. Estou numa fase em que não me restam opções, a vida limitou-me. Fui obrigada a deixar os sonhos fechados numa gaveta.

Sinto-me uma marioneta nas mãos do destino, ele faz de mim o que quer, leva-me para onde quer e eu sem nada poder fazer. Estou numa encruzilhada sem saber para onde ir, o caminho à minha frente é incerto e desconhecido.

Enquanto o dia do adeus não chega, eu vou morrendo aos poucos e um pequeno choro adormece todas as noites ao meu lado.

Mas a parte mais difícil da minha partida será o último abraço, o último beijo, o último olhar… O mais doloroso de tudo é saber que é a última vez. Pudesse eu empacotar tudo isto e levar na mala. Uma bagagem de pessoas, momentos e sentimentos, levaria tudo comigo, se pudesse. Tudo o que me faz falta ficará para trás e só o vazio e a tristeza irão me acompanhar.

O dia da despedida vai chegar… E quando chegar eu vou entrar rapidamente no carro, vou olhar pelo vidro, as lágrimas vão escorrer pelo meu rosto entre os soluços abafados, o coração a palpitar aceleradamente e a saudade sentada ao meu lado. Vendo tudo a fugir-me pelos olhos, tudo a ficar para trás, irei embora com as lembranças no coração.

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