A culpa não é tua…

Quero que saibas que tinha imensas coisas para lhe dizer. Mas não consegui fazê-lo. Da minha boca não saiu qualquer palavra. Absolutamente nada. Gelei de um momento para o outro. Apenas segui a sombra do seu corpo com o olhar até já não a ver mais. Nem chorar consegui.

Hoje, passados meses e meses desde a última vez que o senti perto de mim, só me restam lembranças de um passado que não volta. Nem eu queria que voltasse. Foi duro, foi horrível. Mas já lá vai.

É engraçado perceber certas coisas quando alguém desiste de nós e vai embora, sem mais nem menos. No início, pensas que a culpa foi tua. “O que é que eu fiz?”, “Porquê eu?”, “Não acredito, só faço merda!”. E, mais uma vez, és só tu quem está desfeita em pedaços. Pedaços bem pequenininhos, daqueles bem difíceis de montar. E tu não és nada boa com puzzles, certo?

Tentas, tentas e voltas a tentar. “Hoje não consigo, mas é amanhã, prometo!”, quantas vezes já disseste isto? Será que amanhã é a valer?

Provavelmente, não.

Só mesmo com o tempo é que começamos a perceber que não fizemos nada de errado. Afinal, quem perdeu foi ele. Apenas ele. Percebemos que estamos muito melhor sem alguém que não está nem aí. O amor é para ser partilhado entre duas pessoas, não é algo pela metade.

E não, a culpa não é tua…

Eu vou esperar por alguém que me mostre a razão de todos os outros terem dado errado. E espero o tempo que for preciso. Mas quando esse alguém chegar… Ah, que venha para ficar!