A conversa que nunca tivemos…

A conversa que nunca tivemos. A coragem que nos faltou.

Tudo começou num café, por um café, demasiado conhecido para nomear nomes.

Não era suposto apaixonar-me, eu sei disso.

Sempre foi um jogo perigoso entre o que queríamos e o que poderíamos ser.

Pergunto-me se terás gostado tanto de mim como eu de ti. Tenho quase a certeza que não. Só quero que saibas que não me arrependo, faria tudo de novo. Com a mesma intensidade.

Deste tudo, e a certa altura simplesmente acabou, do nada, sem qualquer sinal ou razão. Prefiro pensar que não gostaste o suficiente de mim a pensar que terá sido o medo a travar-te a felicidade.

Quero que saibas que te guardo com carinho. Que de todas as vezes que olhei para ti, te quis ao meu lado. Mas que to neguei. Não por orgulho, mas por me teres convencido de que era demasiado boa miúda para ti, que não me merecias e que não me irias fazer feliz. Convenceste-me.

Fizemos figuras ridículas… magoei-me, magoei-te. Perdemos a noção.

Lamento a forma como me afastei mas não me deste escolha, sou demasiado livre para ficar refém de um sentimento, ou refém de uma decisão. Além disso já não suportava o teu olhar que descaradamente era correspondido pelo meu.

Guardo as imagens da praia, dos olhares, dos pequenos-almoços na figueira da foz, depois de dias e noites de trabalho. Guardo até aquela massagem que me fizeste nas pernas depois de horas de saltos altos. Guardo aquele momento em que estavas na rede, na tua varanda do quarto, a escolher e a mostrar-me músicas… até aquela música que me dedicaste na altura… Aposto que nem te lembras. Guardo o passeio no mar, as tantas situações caricatas que muito nos faziam rir.

Observei-te e guardei-te ao pormenor na minha memória, guardei cada história, cada sensação. Lamento, mas depois de te abrir o meu coração e de me magoares, não podia voltar para ti. Contigo bastava-me o estarmos felizes, bastavam-me as coisas simples.

Lamento mesmo. Perdeste-me como quem perde algo importante, e eu perdi-te como quem perde o fôlego depois de um mergulho mais longo. Há oportunidades que só aparecem uma vez e foi o que aconteceu connosco.

Foi naquele dia em que não te despediste de mim… nessa altura eu já não te reconhecia. Preferiste refugiar-te na noite, nos copos, nas amigas e nos amigos. E por isso, no dia em que deixei Portugal deixei-te a ti também.

Despedi-me de ti mais tarde, quando voltei, com um acariciar da nuca enquanto conduzias, com tantos olhares. Só tu não percebeste. Desencontrámo-nos.

Hoje estamos bem. Estamos longe, não nos falamos, nem nos vemos. Tu e eu seguimos rumos diferentes, com pessoas diferentes, tão ou mais importantes do que fomos outrora um pro outro. Não estamos juntos porque tiveste medo, porque não nos deste uma oportunidade de tentar. Porque te apercebeste disso tarde de mais.

Sei que estás bem, feliz e que acima de tudo que arriscaste! Finalmente mergulhaste, abraçaste a oportunidade de seres feliz! Dispuseste-te a perder o fôlego, por algo e por alguém sem medos, sem amarras, sem pensar no que os outros pensam. E por isso mesmo hoje consigo olhar para trás e pensar que não vais cometer o mesmo erro, o de perder uma oportunidade de ser feliz. Hoje posso dizer, tenho orgulho em ti, na pessoa que te tornaste depois de tudo o que se passou entre nós.

Que o medo de amar nunca se propague. Vivemos para sermos felizes, para amarmos tanto quanto o que conseguirmos.

Sejam felizes e por favor, se possível, façam dos outros pessoas mais felizes também.

PORAnónimaCG
Partilhar é cuidar!

RELACIONADOS




PELA WEB

Loading...