A CARTA!

“Because I do not give up what makes me happy”

E é por não desistir do que me faz feliz, que estou aqui, sentada nesta secretária pouco espaçosa, a escrever-te. Escrevo-te porque não me esqueço de ti, passe o tempo que passar. Escrevo-te porque não quero que te esqueças de mim, passe o tempo que passar. Escrevo-te porque tenho esperanças.

Tenho esperanças que, ao longo da tua leitura bastante atenta desta carta, sorrias. Não porque as palavras são bonitas ou agradáveis, mas sim porque tens alguém que pensa em ti, que jamais te vai abandonar, que vai estar aqui, independentemente de tudo e para tudo.

Quando digo “independentemente de tudo e para tudo” é no sentido literal. Se me ligares de madrugada porque queres desabafar, eu irei atender. Se me telefonares à hora da refeição porque necessitas de ir tomar um café, de um abraço apertado, eu irei terminar rapidamente a refeição e dirigir-me a ti o mais rapidamente possível. Se me ligares, mas não souberes o que dizer, eu saberei.

Passou pouco tempo desde o dia em que tive o prazer de te conhecer, de te olhar nos olhos, de te tocar, de te abraçar, de te beijar. Nesse dia, aliás, nessa noite, não tive qualquer sentimento senão um grande aperto no coração. O teu sorriso fez-me sorrir de imediato, perder toda e qualquer vergonha que pudesse existir. Fez-me gostar de ti, sem te conhecer.

Não. Não te amei de imediato. Não. Não senti borboletas no estômago. Não. Não pensei em casar, construir família.

O meu único sentimento naquele instante foi assustador. Foi como se estivesse a segurar uma caixa bastante pesada e frágil, nas minhas mãos. Foi como se tivesse o mundo nas minhas mãos, e independentemente de me faltarem as forças, não o podia deixar cair.

Senti apenas que tinha à frente todos os meus sonhos, em uma só pessoa: tu. E senti de imediato que não podia deixar escapar-te por entre as mãos.

Foi então que tudo piorou.

Foi então que te deixei escapar.

Isso aconteceu porque eu me apeguei a ti como fita-cola se apega a uma folha de papel, porque eu tive medo que me deixasses, mesmo sem te ter, porque eu agi sem pensar, porque eu entreguei-me a ti como se não houvesse mais ninguém no mundo. Para mim, não. A única pessoa que eu conseguia ver, eras tu. Eras a única pessoa que me fazia sorrir, que me deixava de bom humor, que me dava força para acordar todas as manhãs a sorrir.

Peço desculpa. Peço desculpa pelo meu apego. Peço desculpa por todas as vezes que quis mais do que uma amizade. Peço desculpa por ter iniciado da maneira que iniciou. Peço desculpa pelas coisas que disse. Peço desculpa por me ter entregue a ti. Peço desculpa por tudo o que fiz e também pelo que não fiz, por medo. Simplesmente, peço desculpa.

Hoje, sentada nesta cadeira, sem ninguém à minha volta, apenas com uma pequena lágrima a querer escorrer-me pelo rosto, percebo que fiz tudo errado. Percebo que fiz tudo o que não deveria ter feito e como consequência, acabou sem sequer ter começado.

Eu não queria uma relação. Eu não queria casar. Eu não queria ter filhos. Pelo menos, para já.

Eu apenas queria alguém a meu lado, para me abraçar quando eu precisasse, para me mimar, para ser meu amigo, meu namorado e meu amante, sem ter de lhe chamar de “amigo”, “namorado” ou “amante”. Apenas queria algo que não precisasse de designação, algo vivido dia após dia. Algo natural, sem planos. Algo que eu não consegui.

Lamento.

Lamento por tudo.

Lamento porque tudo o que eu mais queria era fazer-te feliz, era acordar todas as manhãs a teu lado, dar-te um beijo na testa e dizer-te “bom-dia, meu amor”, era ver-te sorrir, era abraçar-te sempre que estivesses em baixo e bater-te sempre que fosses mau para mim, era fazer da tua família, a minha, era brincar com a tua irmã e ajudar a tua mãe a limpar a casa, era ser a tua menina, a menina que nunca tiveste, mas sempre mereceste, a menina que faria qualquer coisa por ti, que brincaria contigo, que jogava contigo aqueles jogos que vocês, rapazes, adoram, aquela menina que ficaria sentada na tua cama a ler um livro, enquanto te via trabalhar, aquela menina que trataria do teu almoço, que te levava a conhecer os seus amigos, que te chamava nomes para te irritar, que faria parvoíces para te ver sorrir, que te faria feliz.

Toda esta descrição de uma bela história de amor, não se passaria de um dia para o outro, claramente. Era necessário tempo, conhecimento, atenção, amizade. Era necessário tudo o que eu quis passar à frente e acabei por me arrepender.

Contudo, e uma vez que nada disto se tornou possível, preciso que me faças um favor.

Preciso que cuides de ti. Preciso que não te deixes perder na confusão em que está a tua cabeça. Preciso que te segures a um objetivo e ignores as dificuldades da vida. Preciso que cuides do teu coração, como eu gostaria de cuidar. Preciso que tenhas fé e acredites que tudo vai passar e brevemente estarás a sorrir de novo. Preciso, sobretudo, que acredites em ti e nunca te esqueças da pessoa maravilhosa que és.

Peço-te.

Peço-te que reflitas acerca destas palavras.

Peço-te.

Dá-me uma oportunidade. Deixa-me cuidar de ti. Deixa-me estar a teu lado quando não tiveres mais ninguém. Deixa-me abraçar-te quando te recordares do passado. Deixa-me ajudar-te a viver o presente, a esquecer o passado. Deixa-me viver contigo dia após dia. Deixa-me tentar.

Não tenhas medo de me magoar. Eu não sou de ferro, mas aguento-me. Eu não te peço que tenhas algo comigo. Não entendas coisas erradas. Peço-te que me deixes fazer-te sorrir de novo. O que acontecer depois, acontece.

Peço-te isto por uma simples razão.

Peço-te isto porque acredito em ti. Peço-te isto porque és uma pessoa fantástica que não merece este sofrimento, que não merece passar por tudo isto, sozinho.

P.S.: nada é impossível para um coração cheio de vontade!

Beijo enorme e as maiores felicidades do Mundo ♥


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